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Marcelo desencontrado dos portugueses nas 35 horas e barrigas de aluguer

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Marcos Borga

“Deve o PR vetar a lei das barrigas de aluguer?”, questionava o barómetro da Eurosondagem. 44,8% responderam que não. Sobre as 35 horas de trabalho, 54,1% são contra a lei que Marcelo promulgou. É o primeiro desencontro entre o Presidente e as sondagens

O barómetro de junho da Eurosondagem para o Expresso/SIC incluia uma pergunta sobre a lei das barrigas de aluguer, sobre a qual Marcelo Rebelo de Sousa viria a decidir esta semana. “Deve o Presidente da República vetar a lei das barrigas de aluguer?”, questionava o estudo de opinião realizado entre 1 e 7 de junho, antes de ser conhecida a decisão de Marcelo. A resposta mais frequente foi “não”, dada por 44,8% dos inquiridos, acima dos 36,7% que se manifestaram a favor do veto (18,5% não responderam ou não sabiam).

No mesmo dia em que Marcelo anunciou o veto da lei das barrigas de aluguer, também deu a conhecer a promulgação da lei que repõe as 35 horas de trabalho para a Função Pública, ainda que a aprovação seja feita com uma condição — se der despesa será enviada para o Tribunal Constitucional. À pergunta sobre se os portugueses concordavam com o regresso das 35 horas para a Função Pública, mais de metade dos inquiridos (54,1%) mostrou-se contra a reposição do horário, acima dos 36% que estão de acordo com as 35 horas.

A popularidade do Presidente voltou a subir em junho e a larga maioria dos inquiridos (78,7%) defende que Marcelo tem sido um Presidente “coerente”, contra 12,6% que não concordam com essa ideia. Mas o que o barómetro de junho traz de novo é o primeiro desencontro entre as posições do chefe de Estado e a opinião da maioria dos portugueses inquiridos. As perguntas feitas foram anteriores ao veto presidencial à lei das barrigas de aluguer e à promulgação do diploma das 35 horas, que Marcelo decidiu em tempo recorde (menos de 24 horas depois de receber os diplomas). Mas o barómetro é inequívoco — a maioria preferia que Marcelo tivesse feito diferente.

O que terá levado o Presidente a arriscar, com estas decisões, alguma popularidade? Por um lado, depois de a Igreja lhe ter pedido o veto das barrigas de aluguer, o PR terá acautelado a sua relação com os sectores mais conservadores da sociedade, que dele esperam mais do que uma excelente relação com a esquerda. Ao mesmo tempo, ao promulgar as 35 horas, Marcelo sinalizou que continua empenhado em preservar a relação com o primeiro-ministro. Se 78,7% dos inquiridos continuam a achar que ele é “coerente”, o Presidente goza a folga que tem para ir contentando uns e outros. Mesmo que isso implique perdas momentâneas.

  • Marcelo auscultou partidos e Parlamento vai mudar barrigas de aluguer

    Nenhum partido diz não ao Presidente. Belém tinha esse “feeling” dos contactos informais que foi mantendo. E o Parlamento vai mesmo mexer na lei das barrigas de aluguer. O PS reconhece, pela voz do seu nº2, que o diploma tinha fragilidades. Passos dá liberdade de voto. E até o PCP admite pensar. O BE, autor do projeto, admite “clarificar” a lei. É o tudo por tudo para não a perder