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Passos acusa a esquerda de estar “fechada” e sem disponibilidade para “nada”

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Marcos Borga

PS chumbou proposta do PSD para criação de uma comissão eventual sobre a reforma da Segurança Social

O presidente do PSD acusou hoje a maioria de esquerda parlamentar de estar "esgotada", sem disponibilidade para "nada" e "fechada" a qualquer debate perante os portugueses, refugiando-se numa "canga dogmática" sobre o futuro da Segurança Social.

Palavras proferidas por Pedro Passos Coelho no debate que encerrou hoje, em plenário, na Assembleia da República, a discussão sobre o projeto de resolução do PSD para a criação de uma comissão eventual para a reforma da Segurança Social.

Numa intervenção que foi aplaudida de pé pelos deputados do PSD e que também recebeu palmas da bancada do CDS-PP, Pedro Passos Coelho deixou palavras duras: "Se o PS e as outras forças de esquerda não têm sequer disponibilidade para, numa comissão eventual, abordar possíveis soluções e avaliar diagnósticos sobre a Segurança Social, retirando toda a canga dogmática da discussão, então é porque não estão disponíveis para nada", disse.

Antecipando o chumbo do projeto de resolução da sua bancada, o líder social-democrata acusou a maioria de esquerda de "nem sequer aceitar iniciar um trabalho para procurar um compromisso" sobre o futuro do sistema de Segurança Social.

Uma atitude que, na sua opinião, revela que o conjunto de partidos que suporta o atual Governo "está fechado sobre si próprio, esgotado e não quer discutir com o país coisa nenhuma".

"E essa é a pior notícia que podia sair deste parlamento", concluiu o ex-primeiro-ministro.

Ao longo da sua intervenção, o presidente do PSD procurou advertir a esquerda parlamentar para os "problemas estruturais" evidenciados pelo atual sistema de repartição da Segurança Social pública, vincando que na melhor das estimativas a sua dívida representará cerca de 84% do PIB (Produto Interno Bruto) e na pior das hipóteses quase 180% do PIB.

Ora, de acordo com Passos Coelho, quanto mais tempo se demorar a enfrentar este problema "mais caro sairá aos portugueses" e "menos confiança" haverá em relação à economia do país.

Pedro Passos Coelho lamentou também que a oposição recorra a "processos de intenção" quando o PSD sustenta que a reforma da Segurança Social "está por fazer".

"Isto dito por alguém que tem a experiência de ter sido primeiro-ministro deveria ter sido um ponto importante de constatação sobre a intenção de quem hoje está na oposição querer ajudar a resolver um problema estrutural que não se conseguiu solucioná-lo no passado. Mas, pelo contrário, esta constatação é atirada com um processo de intenção naquela lógica de que quem não resolveu antes também não quer resolver agora", disse, em mais uma farpa dirigida às bancadas da esquerda parlamentar.

O ex-primeiro-ministro criticou depois as bancadas da oposição por, ao longo do debate, perante o projeto do PSD, se ter refugiado "argumentos de ordem burocrática", no estilo de que já existe uma comissão parlamentar de Segurança Social, então porquê criar-se outra.

"A ideia é criar a partir do parlamento condições para afastar os falsos problemas, centrando-se os deputados nos diagnósticos que são incontroversos sobre o futuro do sistema de Segurança Social, e testar soluções. Cada um terá as suas, mas quaisquer que sejam as soluções apresentadas por cada um, o importante é que possam corresponder à avaliação dos problemas detetados", defendeu.

Para Pedro Passos Coelho, esse trabalho deveria realizar-se em 180 dias no parlamento, porque "qualquer reforma da Segurança Social terá de ser concertada com mais do que os parceiros sociais".

"Quando se fala de pensões, questão que toca a toda a gente, é fundamental que esse debate se faça com a sociedade - e não há nenhum outro local que esteja mais próximo de representar a diversidade social e política do país que não a Assembleia da República. O importante é todos porem de lado argumentos datados de natureza partidária e preocuparem-se com o futuro", sustentou ainda o ex-primeiro-ministro.

No entanto, de acordo com Passos Coelho, na reação, a maioria de esquerda procurou antes "desqualificar" o PSD, alegando que "quem no passado fez assim ou assado então nada pode fazer para futuro".

"Ora aí está uma boa conceção de democracia", acrescentou o presidente do PSD, em mais uma crítica dirigida à esquerda parlamentar.

PS, Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes" rejeitaram o projeto de resolução apresentado pelo PSD para a criação de uma comissão eventual no parlamento para se proceder a uma reforma da Segurança Social.

A resolução dos sociais-democratas contou com o apoio o apoio do CDS-PP. Antevendo este resultado negativo para as forças da oposição, a meio da discussão, o presidente da bancada do CDS-PP, Nuno Magalhães, anunciou que a sua bancada irá entregar em breve uma resolução para "forçar" o Governo a informar em detalhe as perspetivas de evolução e de sustentabilidade do sistema de Segurança Social.