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Mariana Mortágua: Discussão sobre Orçamento Retificativo é “puro radicalismo de quem está a olhar para um quadrinho”

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

A deputada do Bloco de Esquerda diz que, até agora, não há nenhuma solução de “banco mau” que cumpra os critérios do BE. E que “não é fácil do ponto de vista legal demitir o governador [do Banco de Portugal] e ele sabe e aproveita-se disso para se manter agarrado a um cargo que já não tem condições para exercer”

A discussão sobre a necessidade de um Orçamento retificativo, que já foi evocada por Marcelo Rebelo de Sousa, é uma conversa de “puro radicalismo, obsessão e fanatismo de quem está a olhar para um quadrinho”, diz Maria Mortágua, um dos rostos mais conhecidos do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta quarta-feira.

Até agora, não há nenhuma solução de “banco mau” que cumpra os critérios do BE, garante, e relativamente a Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, diz que “não é fácil do ponto de vista legal demitir o governador e ele sabe e aproveita-se disso para se manter agarrado a um cargo que já não tem condições para exercer”.

“Os tratados exigem-nos que tenhamos o défice abaixo de 3% e o que estamos a discutir é se esse défice é de 2,2%, 2,3% ou 2,5%. Para o país qual é a diferença de ter um défice de 2,2% ou 2,7%? O que é que muda? Os mercados vão ficar em pânico? Nada! É puro radicalismo, obsessão e fanatismo de quem está a olhar para um quadrinho. Agora olhemos por outro prisma: o que é que o país consegue fazer com os 700 milhões que fazem a diferença entre 2,2% e 2,7%? Quantos subsídios de desemprego a mais é que se pagam ou quantas políticas de investimento é que conseguimos ter?”, disse Mariana Mortágua ao “DN”.

E não aceitar as sanções da Comissão Europeia é uma questão de “dignidade do país”, defende a deputada do Bloco de Esquerda. “Quem sanciona as políticas em Portugal são os portugueses através das eleições. Do ponto de vista racional e moral é absurdo, a Comissão Europeia está a sancionar políticas que aplicou”, afirmou.

É por isso que hoje o PS “tem hoje uma atitude mais cética em relação à benevolência da Europa”, como se viu no Congresso do partido, diz Maria Mortágua. O PS “percebe que Bruxelas é uma máquina de condicionar as democracias, com base em instrumentos que não são sequer os mais legítimos”, disse ao “DN”.

A deputada do Bloco de Esquerda afirma ser também necessário parar de olhar para a maioria parlamentar “como uma coisa em permanente desequilíbrio ou risco”. “Ficou muito claro que o Bloco colocou condições para apoiar qualquer governo do PS. As muletas não colocam condições, uma muleta é mais ou menos o que o CDS fez com o PSD”, explicou.

Quanto ao processo de negociações com o PS, Mortágua diz que o BE não mudou de posição. Trata-se tudo de uma dinâmica de consensos. “Temos trabalhado sempre numa lógica de permanentes arranjos para melhorar a vida das pessoas. Negociámos a devolução dos salários e dos rendimentos antes do Orçamento, negociámos o alargamento da tarifa social de energia, estamos a tentar negociar o passe social para desempregados, ou seja, a possibilidade de os desempregados poderem ter transporte sem terem de pagar”, revelou.