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Cristas questiona como Governo se vai “desembrulhar” do dossiê CGD

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TIAGO PETINGA/LUSA

Líder do CDS acusa o Governo de apelar a consensos, mas de nem sequer ser capaz de ir ao parlamento “dar explicações” sobre o dossiê da Caixa Geral de Depósitos

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou esta terça-feira que o país desconhece como o Governo, liderado pelo socialista António Costa, se vai desembrulhar do dossiê Caixa Geral de Depósitos (CGD).

"Ainda recentemente vieram notícias dizendo que está tudo fechado, que em Bruxelas está tudo tratado, mas nós aqui no nosso país ainda não sabemos em quanto é que vai ser capitalizada a Caixa Geral de Depósitos, porque é que tem de ser capitalizada, como é que vai acontecer, vai ao défice, vai à dívida, como é que se vão desembrulhar deste dossiê", afirmou Assunção Cristas, no encerramento das jornadas parlamentares do CDS, nas Velas, ilha de São Jorge, Açores.

Insistindo que o que se lê é que "está tudo já articulado, está tudo a ser fechado", a presidente do CDS-PP considerou que "também aqui se sente uma autossuficiência aparente do Governo socialista, que por um lado reclama consensos, embora outras vozes digam que consensos são contrários à democracia, e por outro lado não é capaz sequer de ir ao parlamento e aos partidos da oposição" dar explicações.

A Comissão Europeia garantiu esta terça-feira que ainda não tomou qualquer decisão relativamente à capitalização da CGD, até porque "só muito recentemente" recebeu informações das autoridades portuguesas, que terá de analisar detalhadamente.

"O que posso dizer nesta fase é que a Comissão está em contacto com as autoridades portuguesas relativamente a esta questão. Só muito recentemente recebemos informação das autoridades portuguesas sobre este assunto e estamos a analisar. Mas resumindo, as notícias sobre quaisquer decisões da Comissão sobre este assunto não são corretas", afirmou hoje o porta-voz para a Concorrência.

No discurso, Assunção Cristas estendeu às críticas à governação socialista regional. "Vejo muitas oportunidades e vejo muitas vezes um grande empecilho, que é um Governo Regional que se reclama sempre de mais autonomia, mas que não usa convenientemente a autonomia quando está ao seu dispor", referiu.

Assunção Cristas acusou o executivo regional, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, de ter "tantas vezes atacado" o anterior Governo (PSD/CDS-PP) quando "aquilo que deve e pode fazer, seja do ponto de vista das acessibilidades, do ordenamento do espaço marítimo para que as várias atividades se possam potenciar e conjugar entre si de forma a criar emprego e desenvolvimentos económico, não o faz".
"Vemos aqui nos Açores um exemplo vivo do que é uma governação socialista", continuou.

No seu entender, no arquipélago se vê "uma asfixia pública de um poder centralizado que em tudo resolve com mais Estado, em tudo resolve com mais presença, de alguma forma impedindo que as empresas, as instituições e os cidadãos se sintam livres para desenvolver a sua atividade económica em condições competitivas, em condições de melhores ambientes regulatórios ou fiscais".

Para Assunção Cristas, "a marca socialista não traz crescimento económico sustentável para o país, não traz criação de emprego", mas antes "falta de confiança" e "travão no investimento".
Por isso, desafiou os dois executivos a "refletirem sobre o caminho para onde estão a levar o país".