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“Sejam otimistas!”, disse Costa aos socialistas

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António Costa no encerramento do 21º Congresso do PS: “Sejam otimistas” - foi o que disse aos portugueses

Marcos Borga

Foi com esta frase que o líder socialista, António Costa, começou e terminou o longo discurso de encerramento do 21º Congresso do PS

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Foi esta a mensagem final e principal do longo discurso de mais de uma hora com que António Costa encerrou hoje o 21o. Congresso do PS.

"Ser otimista não vos vai fazer pior", disse, acrescentando que "há quem confunda otimismo com o desconhecimento das dificuldades".

E sublinhou: "Ser otimista é conhecendo as dificuldades, ter confiança que com as políticas certas é possível obter os resultados desejados, todos temos de nos empenhar em vencer a descrença de que o pais não podia deixar de ser pobre, a fatalidade de que não nos conseguíamos modernizar sem ser endividando-nos"

Para Antonio Costa, o país vai ser capaz de vencer esta crise, "se tiver a capacidade de se manter firme no médio e longo prazo, se for capaz de manter a estabilidade política para executar um programa de recuperação económica, de dialogo político e economico e de se bater na Europa, sem bravata, pelo que são os interesses nacionais".

Autarquias: alianças no Porto e em Lisboa

Mas foram várias as mensagens com que o secretário geral do PS, agora reeleito e com a sua orientação política reforçada neste congresso, o primeiro desde que é governo. Falou das autarquias e da necessidade de cada parceiro do governo "fazer por si o melhor que puder e souber", limitando assim o compromisso com o PCP, o Bloco de Esquerda e os Verdes ao campo do apoio governamental.

Tal principio não o impediu, porém de abrir a porta às alianças no Porto e em Lisboa. Na primeira destas cidades porque, disse, PS integra "com muito orgulho" o trabalho realizado na Câmara por cidadãos independentes.

"O PS não deve deixar de integrar a lista (...) se é assim que melhor servimos a cidade, devemos fazê-lo". E destacou: "Gosto muito do emblema da mãozinha, mas acho que o maior disparate que podíamos fazer era em nome do emblema da mãozinha sacrificar a qualidade da gestão de uma cidade que é fundamental para o país", numa alusão direta ao apoio a Rui Moreira, que toda ia não mencionou diretamente.

O mesmo principio das alianças foi enunciado, embora mais timidamente, em Lisboa, quando destacou que ela foi "uma experiência boa e feliz" e que se deve renovar, abrindo-se "a novas Helenas Rosetas e Sás Fernandes".

Quanto ao resto, vale a autonomia das concelhias e federações - "que cada uma resolva a bem, vamos trabalhar para ganhar as eleições".

A Europa é o local do combate

Mas se houve tema sobre o qual António Costa se alongou foi a Europa, onde disse, sem rodeios, que é o local onde se trava o combate. Costa prometeu combate sem tréguas, mas "sem bravatas".

"Não podemos estar na UE atentos e obrigados à espera, nem aceitar a submissão, somos iguais entre iguais", disse, afirmando concordar com o presidente da Comissao Europeia que, se "a França é a França, Portugal é Portugal, a Europa não precisa de menos Europa, mas mais Europa, combateremos pela mudança, não é um retrocesso, é aprofundamento".

Lembrando que "se é difícil ser socialista no quadro europeu", sublinhou que "fora deste quadro é impossível sê-lo". A UE é uma união de democracias, onde se aceita o debate, a divergência e a confrontação de ideias e posições, disse ainda.

Costa pôs aliás o Congresso de pé a aplaudir ao falar dos refugiados e da necessidade de lhes abrir as portas.

" A resposta não é menos liberdade de circulação e fecho de fronteiras, é maior cooperação entre todos no combate ao terrorismo e na proteção das fronteiras externas, mas sobretudo maior solidariedade de todos para acolhermos na Europa aqueles que buscam proteção internacional e que em nome da dignidade da pessoa humana nós não temos direito de deixar às portas e às fronteiras da Europa".

Neste contexto, referiu-se às sanções, como sendo um caso exemplar do estado a que chegou a Europa. Numa semana em que mil pessoas morreram afogadas no Mediterrânio, a Europa preocupa-se que o anterior Governo tenha excedido em duas décimas os limites do défice orçamental, disse.

"É uma discussão absurda no contexto europeu", afirmou, destacando que as sanções são injustas para o país e o povo, imorais e incompreensíveis. "Este governo bater-se-á para que não haja nenhuma sanção a Portugal", proclamou, manifestando a sua satisfação que o Presidente da República defenda a mesma posição e expressando o desejo de ver aprovada na Assembleia da República por unanimidade uma resolução contra as sanções.

A batalha da economia

O secretário-geral insistiu finalmente nas questões económicas, afirmando que não se “podia viver obcecado com o mês seguinte”, mas com a série longa desde 2000, em que o país pouco cresceu ou viveu uma longa e prolongada crise económica.

Neste âmbito, lembrou a necessidade de cumprir o Programa Nacional de Reformas, com destaque para as medidas relacionadas com “a batalha da educação”, com as novas qualificações e também o combate à precariedade, anunciando um primeiro concurso para setembro para pós-doutorados com mais de 40 anos, para que deixem de viver com bolsas e tenham um contrato de trabalho.

Mas o grosso do discurso sobre a economia foi a justificação de que as medidas tomadas não foram reversões, mas que se limitaram a cumprir a Constituição.

Costa anunciou no setor agrícola um novo programa de regadio "para que seja possível fazer pequenas Alquevas pelo país", que qualificou como uma batalha estruturante da agricultura.

Quanto ao investimento, disse também que cada concurso que se abriu bateu todos os recordes. "Não faltam empresas nem iniciativas", disse, mas sim por o quadro de apoio a funcionar, de modo a que o dinheiro chegue à economia e criar riqueza. O novo programa das Start-up Portugal, virado para o empreendedorismo, será lançado amanhã, prometeu, ao mesmo tempo que se referia ao programa Industria 4.0, como uma nova "revolução industrial".

"As exportações são muito importantes e uma prioridade, mas não basta apostar no sector externo", lembrou ainda, porque - disse - se não se tivesse aumentado o rendimento das famílias e apostado no consumo interno, a economia teria vindo por água abaixo.

No campo social, António Costa anunciou também uma nova iniciativa - o complemento para pessoas com deficiência, à semelhança do atual complemento solidário para idosos.

"Não conseguimos fazer tudo em seis meses, nem vamos conseguir fazer. Mas temos que dar passos certeiros", concluiu.

Notícia atualizada às 16h15