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Medidas fraturantes para “choque e horror da direita mais liberal”

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Maria Antónia Almeida Santos apresentou a proposta “Eutanásia, um debate sobre a vida”, com vista à criação de um grupo de trabalho para discutir a despenalização da morte assistida. Um tema fraturante ao qual o PS “não pode ficar alheio do debate que já começou”

Marcos Borga

O secretário-geral da Juventude Socialista levou três moções ao Congresso do PS: limitação proporcional dos salários e legalização da prostituição e drogas leves. Tudo para abanar a “direita mais liberal

O secretário-geral da Juventude Socialista (JS), João Torres, apresentou este domingo, último dia do 21º Congresso do PS, três moções setoriais: limitação proporcional dos salários e legalização da prostituição e drogas leves para "choque e horror da direita mais liberal".

No pavilhão da Feira Internacional de Lisboa, João Torres dirigiu-se aos delegados e convidados recusando o rótulo de "causas fraturantes", mas abraçando "questões estruturantes" no século XXI, exibindo um autocolante vermelho na lapela com a inscrição a branco "Eu amo Escola Pública", enquanto, ao fundo, na rua, se ouviam protestos a favor dos colégios privados ou cooperativos com contratos de associação com o Estado.

Tal como as restantes sete moções setoriais também as propostas da JS serão debatidas e votadas apenas a 15 de junho, na primeira reunião da nova Comissão Nacional, que também vai centralizar as revisões estatutárias e a eleição da Comissão Política e do Secretariado Nacional. "Para choque e horror da direita mais liberal, uma terceira proposta. Que se estude o problema da desigualdade salarial", afirmou o líder da "jota" socialista.

João Torres defendeu "um rácio proporcional um para 20 no setor empresarial do Estado e que se penalize empresas privadas que apresentem rácio superior", pois considera não haver justificação para "alguém, por mais qualificado que seja ou mais valor acrescentado que traga, ganhar 50, 100 ou mesmo 150 vezes o salário mais reduzido praticado nessa mesma organização".
Sobre a prostituição, João Torres apelou ao "reconhecimento da atividade" e "garantia de proteção social a quem a exerce", eliminando "uma das últimas grandes hipocrisias" da sociedade, pela "dignidade e contra todos os preconceitos".

"Dado o reconhecimento de que a canábis não é 100% segura, por isso o Estado deve ter um papel fundamental no processo de produção e distribuição desta droga", argumentou também, lembrando que passam 15 anos sobre a pioneira despenalização do consumo de drogas em Portugal, "reconhecida em todo o mundo".

João Torres, num trecho mais político-partidário, afirmou que a sua geração "perdeu quatro anos com a direita no poder" e, agora, "os jovens portugueses estão particularmente satisfeitos com a solução política que o país encontrou, com o Governo e o primeiro-ministro [António Costa] que os protege", em comparação com a atual "direita mais radical" que "quase provoca compaixão pelo estado comatoso em que se encontra".

O terceiro e último dia de trabalhos começou com um vídeo protagonizado pelo fundador e histórico líder do PS Mário Soares, antigo Presidente da República e chefe de diversos governos, ao som da mesma canção roqueira da véspera "Baba O'Rilley", da banda britância The Who, cujo refrão diz que "Lá fora, nos campos/luto pelas minhas refeições/meto-me na minha vida/não preciso de lutar/para provar que estou certo/não preciso de perdão".

No palco que acolhe a Mesa do Congresso, a Comissão de Honra e o palanque dos discursos, o cenário em tons branco, azul e vermelho foi alterado, com o lema dos dias anteriores "Prometemos, Cumprimos" alterado para "Cumprir a Esperança".
Entre as diversas outras moções setoriais apresentadas, destaque para a proposta da deputada e filha do recentemente falecido Almeida Santos, Maria Antónia: "Eutanásia, um debate sobre a vida", com vista à criação de um grupo de trabalho para discutir a despenalização da morte assistida.

"O objetivo é avançar para a despenalização da morte assistida e para a legalização da eutanásia em Portugal. O PS não pode ficar alheio do debate que já começou. Não podemos ignorar as pessoas para quem o diagnóstico é irreversível e estão em sofrimento. Este debate diz apenas respeito a estas pessoas", disse, elogiando o trabalho da coautora da moção, a também tribuna socialista Isabel Moreira.

"Fazer a Diferença nas Comunidades", "Dar força à economia social", "Proposta de criação de Lei-Quadro e correção dos erros de agregação das Freguesias", "Restruturação das secções e concelhias", "Em defesa dos jovens do interior de Portugal" e "Novas propostas para a justiça" foram os restantes textos postos à consideração dos delegados e militantes do PS.