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Pacheco Pereira: “O problema é a degradação da democracia”

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Marcos Borga

Segundo dia do Congresso dos socialistas abre com debate sobre o futuro do socialismo democrático

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Pacheco Pereira alertou para a degradação da democracia portuguesa e europeia, Ana Drago lembrou que alguém tem de estar presente para defender as escolhas democráticas do povo português e Pedro Silva Pereira disse que a luta dos socialistas é sobretudo no terreno da Europa.

Estas foram as ideias centrais do debate “Socialismo Democrático, que futuro”, que hoje marcou o arranque dos trabalhos do segundo dia do 21º Congresso do Partido Socialista.

Dos três, foi Pacheco Pereira o mais contundente, dizendo que a reversão de políticas ou a reposição de salários não é necessariamente uma política socialista. O ponto, disse, é “a degradação da democracia” que leva a que sejam “burocratas” algures na Comissão Europeia ou no Banco Central Europeu “tomem decisões contra o o interesse nacional e o Parlamento Português não tem poderes para votar o orçamento”.

O social-democrata convidado para um debate inédito num congresso socialista criticou ainda os socialistas europeus por terem aprovado o Tratado Orçamental e que, “se não fosse o seu apoio às políticas da sra. Merkel, elas não tinham sido aplicadas”.

Para Pacheco Pereira, estas políticas não são meramente de ajustamento, mas visam uma engenharia social, que desvaloriza o trabalho, é uma “visão da sociedade que criminaliza e onde é proibido ser keynesiano”.

Silva Pereira concordou que o Tratado Orçamental está em rota de colisão com os keynesianos e que “nestes termos não é possível uma política económica de esquerda”. Mas acentuou que “apesar dos constrangimentos, o terreno da luta é a inversão da relação de forças no quadro europeu para que a Europa mude” e seja possível também mudar as regras.

“A nossa atitude é de combate, não de resignação”, afirmou ainda o eurodeputado, para quem há que ter prevenção, isto é, “não deitar a criança com a água do banho. O projeto europeu e a moeda única são fundamentais”.

Ana Drago ainda acrescentou que se depois do 5 de outubro o PS não se tivesse sentado à mesa para negociar com os partidos de esquerda, “estaria condenado a andar a reboque do PSD durante os próximos 10-15 anos.