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Convite a Sousa Pinto, farpas a Assis

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Marcos Borga

Deputado do PS está disponível para integrar órgãos nacionais. Augusto Santos Silva contraria tese de “Governo de gestão”

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A direção nacional convidou Sérgio Sousa Pinto para integrar os novos órgãos sociais, convite que foi aceite, confirmou o Expresso. O contacto foi feito pela secretária-geral adjunta Ana Catarina Mendes, que quis averiguar da disponibilidade do deputado, que pertenceu ao Secretariado de António Costa e se demitiu no ano passado em desacordo com os acordos de esquerda que viabilizaram o Governo do PS.

Não será um regresso de Sousa Pinto ao Secretariado, órgão restrito de aconselhamento do secretário-geral, mas um lugar na Comissão Nacional (que é eleita no domingo). Contactada pelo Expresso, Ana Catarina Mendes recusou falar em convites, dizendo apenas que a lista será fechada no sábado, véspera da eleição. De qualquer forma, até ao momento de apresentação dos nomes todas as alterações podem ser feitas.

Sousa Pinto é deputado e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros. Há duas semanas, em declarações ao Expresso, criticou a moção de Costa, considerando que tem um “tom sectário impróprio para o PS”, mas deixou elogios a Costa. Já ontem, ao “Público”, suavizou as críticas, preferindo falar mais do futuro e dos desafios na Europa.

“A boa tradição no PS é nunca excluir ninguém. Julgo que será mantida”, afirmou ao Expresso o dirigente e ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

A relação da direção com Francisco Assis é mais turbulenta. Assis, em entrevista ao Expresso, considerou que este é “um Governo de gestão”, “manietado” por PCP e BE, e Costa não gostou, embora lhe tenha pago tributo pelos elogios que aquele lhe fez pelo seu talento político na condução do Governo. Por outro lado, integrar uma lista com a qual está em profundo desacordo não seria propriamente do agrado do próprio Assis.

Santos Silva responde ao eurodeputado crítica a crítica. “Estou em profundo desacordo. Neste semestre, o PS fez mudanças estruturais muito importantes”, contesta, ao Expresso. E passa a enumerar três, “no quadro da União Europeia e da política económica”. “Uma mudança estrutural foi a solução política encontrada, a outra foi a mudança de posição portuguesa na União Europeia e depois a política económica ao combinar a procura interna com impulso exportador”, explica. E acrescenta: “Até novembro de 2015, Portugal comportava-se como um menino que achava que tinha feito asneira e perguntava ao percetor que castigo ia ter. Agora, Portugal é um adulto sentado à mesma mesa com outros adultos”, argumenta.

Notícia publicada na edição do Expresso deste fim de semana.