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Assis, assobiado, acaba aplaudido pelo Congresso e por Costa

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Marcos Borga

O crítico mais conhecido das opções do secretário-geral confessa o seu isolamento e adverte contra o vírus ideológico do radicalismo antieuropeu

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Foi num tom muito emotivo que Francisco Assis, o principal crítico da atual estratégia do Partido Socialista, falou ao Congresso. Foi assobiado quando manifestou o seu repúdio pela solução governativa, mas em contrapartida muito aplaudido quando terminou, afirmando que "o PS é um grande partido, onde nunca a divergência se transformou em dissidência e onde nunca a liberdade se deixou subjugar por qualquer forma de dogmatismo".

Recordando que era membro do PS desde 1985, e que falava por dever de lealdade para com o partido - "a lealdade está na crítica que se formula sem subterfúgios, na oposição que se declara sem medo", afirmou - assumiu "sem disfarces" que era muito crítico da forma como o partido tem vindo a ser conduzido nos últimos tempos.

"Sei que a oposição aos acordos celebrados com o PCP e o BE me condena a um elevado grau de isolamento, a realidade que experimento todos os dias", disse emocionado, para destacar que "não é uma circunstância agradável nem fácil para alguém que nos últimos trinta anos confundiu em grande parte a sua vida pessoal com a vida partidária".

Mas, acrescentou, "perde o direito a ter razão quem silencia convicções profundas", afirmou, arrancando de novo aplausos da assembleia.

"Um vírus ideológico perturbador"

Neste sentido, justificou a sua divergência, por considerar uma "aliança parlamentar contranatura, "celebrada por um PS momentaneamente enfraquecido por um resultado eleitorado imprevisto e uma extrema-esquerda fortalecida pelas circunstâncias", sublinhou Assis, que advertiu para o perigo da retórica antieuropeia que no seu entender afeta os presentes aliados dos socialistas , "e pela qual o PS não pode deixar-se colonizar".

"Se há um vírus ideológico perturbador e grave que se coloca no nosso horizonte politico é o do radicalismo antieuropeu que regressa hoje em alguns discursos, que o PS sempre combateu", disse, sob pena de, se não o fizer, por em causa um dos aspetos mais importantes da identidade histórica e doutrinária dos socialistas.