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Assis: “A solidão política é o preço que temos de pagar”

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Francisco Assis, o incómodo opositor de António Costa, não abdica do direito a discursar no 21º Congresso do PS. Porque é uma “obrigação” e uma “alegria”

Marcos Borga

O eurodeputado socialista Francisco Assis, crítico do secretário-geral reeleito António Costa, não quer participar nos órgãos nacionais do PS. Mas quer falar no Congresso ... e quer que os socialistas lhe dêem ouvidos

O eurodeputado socialista Francisco Assis, crítico da estratégia do secretário-geral reeleito António Costa, recusou este sábado vir a fazer parte dos órgãos nacionais do partido, desejando apenas expor a sua razão perante o 21.º Congresso Nacional, em Lisboa. "Não, obviamente, que não vou [integrar listas]. Tenho muito respeito e amizade pelo Daniel Adrião, mas o que ele pensa e o que eu penso não tem nada a ver uma coisa com outra. Não vou participar em nada em termos de listas. Não é nada disso que me move. Quero apenas exprimir-me. É uma obrigação que tenho e cumpro com alegria. É sempre bom reencontrar a minha família política mesmo quando não convergimos em questões importantes", disse, à chegada à Feira Internacional de Lisboa.

Daniel Adrião, que obteve há duas semanas 2,7% dos votos nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS e elegeu diretamente 23 delegados ao congresso, pondera concorrer autonomamente à Comissão Nacional, à Comissão Nacional de Jurisdição e à Comissão Económica e Financeira.

"Tenho as minhas convicções, a obrigação de me bater por elas. Não costumo olhar para o lado nem para trás em certo momentos da minha vida para ver se estou muito ou pouco acompanhado. A solidão política é um preço que, por vezes, temos de pagar e temos de o saber pagar. Tenho convicções muito fortes em relação a esta questão", disse Assis, reiterando a discordância com os acordos parlamentares à esquerda para viabilização do Governo PS.

Francisco Assis, que há mais de ano e meio, no mesmo local, imediatamente após António Costa ter vencido o anterior líder António José Seguro, abandonou os trabalhos da reunião magna socialista por não ter informação sobre a hora a que se poderia dirigir aos delegados, disse contar falar hoje aos congressistas pela tarde.

"É natural que, estando o partido no Governo, haja uma certa unidade em torno desta solução governativa, compreendo isso. Estou absolutamente convencido de que tenho razão na avaliação que faço e, por isso, tenho obrigação de o dizer até porque tenho um passado de intervenção política e de representação do PS (líder parlamentar, deputado, eurodeputado, autarca)", afirmou ainda.