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“A geringonça está para durar”

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Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, primeira figura da lista de António Costa para a Comissão Nacional do partido. Conquistaram 233 dos 251 lugares. Os outros 18 foram para o ‘opositor’ Daniel Adrião

Marcos Borga

Ana Catarina Mendes fez defesa da estratégia de Costa. E desafiou PSD a apresentar em Lisboa adversário a Fernando Medina

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

"Contra todas as expetativas, a geringonça está cá, está a funcionar e está para durar". António Costa entregou à secretária-geral-adjunta, Ana Catarina Mendes, a defesa da sua moção ao congresso do PS e foi assim que a dirigente socialista defendeu o novo Governo, viabilizado pelo PS, PCP e PEV, que há dois anos, no último congresso, estava muito longe de existir na estratégia e no debate então travado.
Depois de um debate sobre o socialismo democrático, o segundo dia de trabalhos do congresso do PS, na FIL, em Lisboa, arrancou com a discussão das duas moções que vão a votos: a de António Costa e a de Daniel Adrião. Em nome de Costa, Ana Catarina Mendes garantiu que o PS vai ser fiel aos seus compromissos europeus, às promessas eleitorais e aos acordos de esquerda. E justificou esses acordos: serviram para afastar a direita do poder e "mais austeridade".
"Não podiamos continuar a viver com medo, incerteza, cortes e desemprego", explicou.
A secretária-geral-adjunta, no entanto, quis frisar que o PS mantém autonomia nas eleições autárquicas e "vai defender todos os seus projetos locais". Aproveitou até para provocar o PSD, ironizando: "A dificuldade e hesitação do PSD na escolha do seu candidato em Lisboa mostra bem a qualidade do nosso presidente. Lisboa está imparável com a liderança de Fernando Medina!".
Tal como consta na moção de António Costa, o PS vai fazer sob a suas ordens uma refiliação para atualizar os cadernos eleitorais e afastar dúvidas e polémicas sobre militantes "falsos" ou quotas pagas por terceiros, que já levou à impugnação de eleições internas em Coimbra e a processos em tribunal. Ana Catarina Mendes referiu esse objetivo, sustentando que "é preciso transparência" e "acabar com os últimos episódios que a todos nos envergonharam".