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PSD atira-se à reforma da segurança social

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Nuno Botelho

Passos Coelho quer uma comissão parlamentar para estudar a reforma da segurança social, que já há dois meses, no congresso do PSD, identificara como uma questão "essencial para os portugueses". A bola do "consenso" passou para o lado do PS que, hoje mesmo, dá início ao seu XXI Congresso

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O PSD quer uma comissão parlamentar eventual para promover a reforma estrutural da segurança social. O propósito foi transcrito num projeto de resolução, já entregue na Assembleia da República, e anunciado esta tarde pelo presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho.

Numa resposta ao Presidente da República - que, há dois dias, no Forum das Políticas Públicas, no Parlamaneto, voltou a referir-se à necessidade de consensos em áreas chave para o país -, o líder social-democrata passou a bola para o campo socialista: "Aqui temos uma questão muito concreta e prática, onde a consistência dos nossos propósitos é testada e onde não há lugar para duas avaliações: ou há vontade para chegar a um compromisso ou não há. A nossa vontade é inequívoca".

Que a reforma da segurança social era uma prioridade para o principal partido da oposição já o sabíamos desde o congresso de Espinho, há dois meses. Na altura, Passos Coelho lembrou que ainda antes das legislativas, quando era primeiro-ministro, alertara os socialistas para a necessidade de um entendimento para garantir a sustentabilidade da segurança social.

Esta tarde, na sede do partido, o líder social-democrata anunciou ter dado um passo em frente no sentido de que a classe política enfrente de vez "uma questão da maior relevância para toda a sociedade portuguesa", "transversal e que não pode estar reduzida às preferências partidárias", e para a qual "é imperioso não adiar a resposta política".

"Sejamos claros. Sem alterar estruturalmente o modelo não conseguiremos dar sustentabilidade ao nosso sistema público de pensões", disse Passos, alertando para "um facto indesmentível": "O sistema público de pensões tem um défice implícito elevado que não desaparecerá naturalmente, antes se agravará se nada for feito".

A proposta do PSD prevê uma comissão que, ao longo de seis meses, promova audições e recolha de contributos envolvendo, entre outros, os parceiros sociais. Passos reitera: "O assunto é demasiado sério para ser usado como arma de arremesso partidário e devemnos evitar nas caricaturas de debate, em que o presente é turvado pelos constrangimentos de curto prazo e o futuro é iludido ou menosprezado".

Nuno Botelho