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Política

PCP avança com moção de censura a Miguel Albuquerque

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A demissão em bloco no hospital central do Funchal é apenas uma das razões que levaram os deputados comunistas a apresentar a moção de censura no Parlamento regional

Marta Caires

Jornalista

Apesar da maioria absoluta do PSD na Assembleia Legislativa, o grupo parlamentar do PCP decidiu avançar com uma moção de censura ao governo de Miguel Albuquerque. Os comunistas entendem que o executivo falhou a promessa de iniciar um novo ciclo político e não foi capaz de pacificar o sector da saúde. A demissão em bloco da direção clínica e de 17 dos 18 diretores de serviço é, na opinião do PCP, “apenas a ponta do icebergue”.

“Este não é um problema limitado a uma certa forma de administração, a um certo jeito ou estilo, é um problema bem mais grave e ultrapassa até o secretário da tutela. Este é um problema de governo, da formar de governar de Miguel Albuquerque que, na verdade, se limita a anunciar sem resolver de facto os problemas”. Ricardo Lume, o deputado que anunciou a intenção do PCP, diz mesmo que, num ano e três meses, Miguel Albuquerque falhou a principal promessa eleitoral que era a de iniciar um novo ciclo político.

A verdade é que, neste ano e só no sector da saúde, o presidente do Governo teve já dois secretários regionais e todos os dias é confrontado com problemas no hospital central do Funchal. A demissão em bloco foi a mais recente, mas “a verdade é que existe muita revolta e insatisfação popular em relação ao que se passa na saúde”. O deputado lembra as constantes faltas de material, de medicamentos, problemas que condicionam o acesso à saúde e são sintomáticos do desnorte que se vive no sector.

A promessa de um novo ciclo político está por cumprir segundo o PCP e é por isso que avança com a moção de censura ao governo regional. O grupo parlamentar comunista sabe, no entanto, que dada a maioria absoluta do PSD na Assembleia Legislativa (uma maioria garantida apenas por um deputado), dificilmente esta moção de censura derrubará o executivo. “É um instrumento político e terá uma leitura política a um governo que, desde que assumiu funções, tem vivido de aparências e de anúncios. As pessoas estão a sentir-se enganadas e esta é uma forma de denunciar esta realidade”.