Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

“Num país que tanto apela aos consensos, ri dos consensos que se formam à esquerda”, diz António Costa

  • 333

Marcos Borga

Primeiro dia de trabalhos do Congresso do PS termina com intervenção do secretário -geral

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Texto

Redatora Principal

Eram 22h20, apenas 20 minutos sobre a hora marcada, quando António Costa começou a falar aos delegados do 21º Congresso do Partido Socialista que esta sexta-feira se iniciou nas instalações da Feira Internacional de Lisboa (FIL) em Lisboa, e que se prolongará até domingo.

Foram 50 minutos de uma intervenção em que o secretário-geral do Partido Socialista justificou a sua opção governativa de acordos de esquerda.

António Costa encerrou assim o primeiro dia de trabalhos do Congresso do partido
Lembrando que todos terão neste congresso a oportunidade de "sufragar" esta escolha, António Costa disse claramente que se os portugueses não deram ao PS a maioria que pediu, também este não tinha o direito de recusar a hipótese de construir uma alternativa de mudança, ao formar na Assembleia da República uma nova realidade, pela qual a anterior maioria se tornou minoria e se formou nova maioria parlamentar.

Marcos Borga

"Nada temos contra o facto da direita governar em maioria, mas não aceitamos que quando ela não a tem o PS lhe dê aquele bocadinho de votos que lhe falta para governar", afirmou.

António Costa defendeu também que a ideia de que não há alternativas é a mais perigosa em democracia, porque esta "vive de escolhas baseadas em alternativas, estamos a devolver a oportunidade de escolher", disse.

Temos de prestar contas

"Este livrinho do programa eleitoral é um compromisso escrito que foi pensado e estudado não está na liberdade das palavras que o vento leva", afirmou. "É altura de recordar que um mandato não é uma carta em branco, é na base dele que temos de ser julgados e já é altura de prestar contas do que temos feito", acrescentou, mostrando a todos o programa.

"Temos de prestar contas pela forma como temos exercido a ação do governo do PS e em que todos têm de participar na sua condução", exortou ainda, elencando não só a nova orgânica do Governo (a criação dos ministérios do Mar e a reposição do Ministério da Cultura e da Ciência), como uma série de medidas já tomadas pelo Governo, desde a revogação da lei que limitava a interrupção voluntária da gravidez, às reversões das privatizações e à recuperação do capital da TAP.

"Prometemos e cumprimos", disse António Costa, recordando ainda a reforma do mapa judiciário e a reposição das taxas moderadoras, ao mesmo tempo que anunciou a gratuitidade dos manuais escolares no primeiro ano a partir do próximo ano letivo. "

Marcos Borga

Não cortámos 600 milhões

"Não fizemos o corte de 600 milhões nas pensões, eliminámos a contribuição extraordinária de solidariedade e reatualizámos as pensões", lembrou, terminando por saudar os parceiros da aliança.

"Foi difícil para nós e para eles, temos historiais, percursos e o objetivos diferenciados" disse, era necessário nova alternativa", afirmou.

"Num país que tanto apela aos consensos, ri dos consensos que se formam à esquerda como se só houvesse consensos bons à direita", disse ainda, num remoque, em que salientou depois as boas relações com o Presidente da República.

O secretário-geral do PS agora reeleito anunciou também que irá propor a eleição de um presidente honorário, António Arnaut, um fundador do partido, deputado da Constituinte e um membro do Governo que mais marcou a sociedade portuguesa ao criar o serviço nacional de saúde.