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Maria Luís: Governo PSD/CDS não vendeu o Banif porque faltaram interessados

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Luis Barra

“Se tivesse sido possível vender o banco, isso teria sido o ideal” disse a antiga ministra das Finanças na segunda vez que esteve perante os deputados que integram a comissão parlamentar de inquérito ao Banif

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque justificou a opção do governo PSD/CDS de não colocar à venda o Banif durante a grande parte do seu mandato com a falta de interessados no banco.

"Se tivesse sido possível vender o banco, isso teria sido o ideal. Eu recebi pessoalmente todos os que mostraram interesse no Banif. E trabalhámos sempre na tentativa de encontrar um comprador", afirmou esta quinta-feira a antiga governante durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito do Banif.

"As abordagens foram: sim, temos interesse. Mas um interesse que nunca foi suficientemente firme para justificar a abertura de um processo público de venda", realçou.

E lançou: "Por um banco à venda e não aparecer comprador nenhum é uma sentença de morte, é pior do que não abrir o processo".

Maria Luís reforçou que, no seu entender, "não havia condições para abrir um processo de venda antes" e que "o que foi sendo feito foi melhorar substancialmente a situação do Banif".

Perante as críticas dos partidos de esquerda sobre a inação do governo de Passos Coelho para resolver atempadamente esta situação, Maria Luís Albuquerque jogou ao ataque.

"Não é empurrar com a barriga, é uma gestão de tempo, e o tempo jogava a nosso favor porque o banco estava a melhorar", afirmou, considerando que "o resultado final foi muito gravoso".

Face à insistência dos deputados sobre a sua opinião acerca do desfecho deste caso, Maria Luís considerou que quem tem que tirar conclusões é a comissão de inquérito.

Maria Luís Albuquerque rejeitou ainda as acusações da oposição de que o anterior governo não resolveu mais cedo o problema do Banif devido às eleições legislativas de outubro, apontando para o exemplo da privatização da TAP.

"Com calendário ou sem calendário eleitoral, nós avançamos com o processo da TAP. Se em setembro, ou em agosto, a questão se tivesse colocado como se colocou no fim de novembro, ter-se-ia antecipado" a resolução do processo Banif, afirmou a antiga governante.

Voltando a ilustrar com a privatização da TAP, Maria Luís vincou que "quando os assuntos são importantes e urgentes, mostra que o calendário eleitoral não impede que se façam as coisas".

Luis Barra

“Transição de pastas”

A ex-ministra das Finanças reafirmou ainda que não passou informação ao PS sobre o Banif logo em outubro porque se tratou de uma reunião partidária, tendo-o feito depois, em novembro, na reunião de transição de pastas.

"Houve duas reuniões [com membros do Partido Socialista (PS)]. A primeira foi a 12 de outubro, a PàF [coligação Portugal à Frente, entre o PSD e o CDS] tinha ganho as eleições e como não obtivemos a maioria absoluta estávamos num diálogo partidário com representantes do PS. Eu reuni-me enquanto membro do PSD", afirmou a antiga governante.

"Só a 26 de novembro é que foi no contexto de transição de pastas. Não estamos a falar de uma reunião [a de outubro] que se dê o detalhe do processo que se dá quando é uma reunião de transição de pastas", sublinhou Maria Luís durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao Banif.

"Na reunião de outubro estava presente Pedro Nuno Santos, que já não estava na reunião da transição de pastas, já que não tinha funções ligadas ao Ministério das Finanças. Estranho seria que estivéssemos ali a dar detalhes [na reunião de outubro]", reforçou.

E salientou: "Não consigo perceber sequer porque é que neste contexto o senhor secretário de Estado [Mourinho Félix] acha que devia ter passado informações sobre processos do governo".

A ex-ministra especificou que a reunião de outubro era uma "reunião partidária", na qual participaram Mourinho Félix, Mário Centeno e Pedro Nuno Santos.

Mas, na reunião de 26 de novembro, "o contexto era diferente", vincou a agora deputada do PSD.

"O atual ministro das Finanças veio também acompanhado pelos atuais secretários de Estado e, calculo, os respetivos chefes de gabinete. Isto foi no próprio dia da tomada de posse [do Governo PS]", informou.

"Nessa fase em que estávamos todos juntos, fiz uma brevíssima resenha da situação do sistema financeiro. E realcei que era muito urgente que fosse de imediato indicado um interlocutor para a DG Com [Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia], idealmente, no próprio dia", referiu.

"Pedi a todos para saírem, exceto, Mário Centeno e o seu atual chefe de gabinete. Apresentei todos os detalhes sobre o processo do Banif. Nessa fase da reunião estávamos apenas quatro pessoas na sala", revelou, apontando para a sensibilidade do tema.

"Aquilo que terá sido transmitido ao atual secretário de Estado, eu não faço ideia, mas ele não estava na sala" quando se falou do Banif na reunião de 26 de novembro, sublinhou Maria Luís, assinalando que informou naquela data o PS que o Banif era um processo "delicado, sério e urgente".

Esta foi a segunda vez que a ex-ministra das Finanças esteve perante os deputados que integram a comissão parlamentar de inquérito ao Banif.

Luis Barra

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