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Descontentes com Costa discutem PS ao serão

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STEPHANIE LECOCQ / REUTERS

O PS “está esvaziado de militância política, refém do aparelho e apresenta fortes sinais de falta de democracia interna”, aponta António Fonseca Ferreira, da corrente de opinião Esquerda Socialista. Esta terça-feira à noite, no Café Nicola em Lisboa, os críticos de Costa debatem o seu “descontentamento” com o partido

A corrente de opinião Esquerda Socialista, de Fonseca Ferreira, apresenta esta terça-feira um manifesto crítico da governação de António Costa, expressando preocupação pela situação económica e a perda de identidade do programa socialista.

"O PS tinha um programa que era inverter o ciclo de austeridade e devolver rendimentos, mas de uma forma moderada para relançar a economia e isso não está a acontecer. O PS pode perder a sua identidade se não governar com o seu programa, embora fazendo compromissos e cedências", disse à Lusa António Fonseca Ferreira sobre o conteúdo do manifesto.

A anteceder o Congresso do PS, que começa na sexta-feira, a discussão do manifesto "Mais Democracia", hoje à noite no Café Nicola, em Lisboa, foi anunciada, em comunicado, como uma reunião de "militantes socialistas descontentes", com a presença de Álvaro Beleza, que disse, contudo, que não estará presente, nem se insere nesse grupo.

"O que tiver a dizer digo no Congresso", afirmou à Lusa, acrescentando que se articulará com Francisco Assis e Eurico Brilhante Dias.

Fonseca Ferreira confirmou ter recebido uma mensagem de Álvaro Beleza dizendo que não podia estar presente por se encontrar doente, mas reiterou as presenças de João Proença e Manuel dos Santos, como constava do comunicado, no encontro que vai discutir o manifesto "Mais Democracia".

O manifesto "Mais Democracia" devia ter sido uma moção ao Congresso, se tivesse sido revogada a obrigatoriedade de a apresentação de moções obrigar a uma candidatura a secretário-geral, norma que vigora desde 2011, disse Fonseca Ferreira.

"É ridículo que seja preciso ser-se candidato a secretário-geral para apresentar uma moção e provocar o debate interno no PS. Diligenciámos no sentido de retirar a cláusula, num primeiro momento o secretário-geral disse que sim, mas depois de remetidos para a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, deixou de ser possível", afirmou.

A corrente de opinião de Fonseca Ferreira considera, como é afirmado em comunicado, que o PS liderado por António Costa, "está esvaziado de militância política, refém do aparelho e apresenta fortes sinais de falta de democracia interna".

O manifesto é crítico quanto às perspetivas económicas: "Os indicadores da evolução económica e do emprego, no 1.º Trimestre de 2016, são muito preocupantes: o PIB cresceu 0,8% em vez de 1,8%; as exportações abrandaram; o desemprego aumentou; a execução orçamental ficou abaixo da meta prevista; e o investimento prosseguiu a quebra que se vem verificando desde meados de 2015", lê-se no documento.

"O que vai acontecer quando o estado de ilusão, de torpor e de campanha eleitoral em que vivemos esbarrar nas suas insanáveis contradições: a economia e a Europa?", questiona-se.