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Cristas fala com Juncker e Merkel e diz que está nas mãos do Governo evitar sanções

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JOSÉ COELHO / Lusa

A líder do CDS encontrou-se esta segunda-feira com o presidente da Comissão Europeia e com a chanceler alemã. Assunção Cristas diz que tentou sensibilizá-los para a “injustiça” de aplicar sanções a Portugal e a Espanha

Assunção Cristas está nas comemorações dos 40 anos do Partido Popular Europeu para se apresentar como a nova líder do CDS. À família política europeia explicou porque considera injusto que Portugal e Espanha sejam alvo de sanções. “Porque as pessoas não compreenderiam esta falta de reconhecimento de um esforço grande que foi feito por todos os portugueses”, adiantou ao Expresso e à SIC, no Luxemburgo.

À margem do evento, a líder centrista encontrou-se com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com o vice-presidente com a pasta do euro, Valdis Dombrovskis. Na reunião, percebeu que há “muitos países a pressionar” no sentido de que as regras europeias sejam aplicadas – o que poderá conduzir a sanções – e que o próprio Dombrovskis é dessa opinião e “não está sozinho”.

Já o presidente da Comissão Europeia, diz Cristas, “está muito sensível” ao caso português e “que foi pela mão dele” que a decisão foi adiada. A presidente do CDS admite, no entanto, que “vai ser difícil sustentar essa mesma posição de não aplicação de sanções”, quando a questão for reavaliada em julho.

Apesar do agravamento do procedimento por défice excessivo dizer respeito ao ano de 2015, Cristas diz que evitar sanções está nas mãos do atual Governo. “Aquilo que eu senti da parte dos vários interlocutores foi uma preocupação em relação ao rumo do atual Governo”, disse no final do encontro com os líderes da mesma família política, Juncker, Merkel e Dombrovskis. “Por isso, fiquei com a profunda convicção de que está nas mãos deste Governo aquilo que virá a acontecer nos próximos meses e a posição da Comissão Europeia em relação a Portugal”.

Em 2015, o défice português ficou nos 4,4% do PIB, claramente acima da linha vermelha dos 3%. Excluindo a intervenção no Banif e outras operações extraordinárias, o défice teria ficado em 3,2% –segundo Bruxelas.

Perante a família de centro-direita, Cristas defendeu ainda que se a coligação tivesse continuado a governar o défice teria ficado abaixo da linha vermelha. “O Governo [PS] não se empenhou o suficiente para justificar tecnicamente que deveríamos ter ficado abaixo dos 3%”, diz, acusando o Executivo de António Costa de tentar justificar a derrapagem com “o legado do anteriorGoverno”.

“Se só estivesse em causa o legado do anterior Governo, a decisão (da Comissão) provavelmente já teria sido tomada”, concluiu.