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Marcelo pede a Merkel ajuda para CGD e NB

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MÁRIO CRUZ / Lusa

O Presidente da República falou com Passos e Cristas e leva a Berlim consenso nacional contra sanções da UE. Mas juntou a banca no bolso

As saídas na forja para dois dos principais problemas bancários portugueses, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a venda do Novo Banco, dependem de dupla aprovação de Bruxelas e da Alemanha (BCE) e Marcelo Rebelo de Sousa vai tentar sensibilizar Angela Merkel para a importância para a economia nacional de as instituições europeias não bloquearem o processo.

Embora o principal objetivo da deslocação que o Presidente da República faz a Berlim a partir de domingo seja evitar sanções a Portugal por causa do défice, o PR também leva no bolso a situação do sistema financeiro. E vai forçar junto do Presidente e da chanceler alemã a urgência de não complicar as saídas para estabilizar a banca portuguesa.

Como o Expresso noticiou, o Governo aceita a recapitalização da CGD num montante que pode ir até aos quatro mil milhões mas terá que negociar com Bruxelas — a Caixa recebeu ajudas de Estado, que ainda não devolveu integralmente, e isso é um óbice no quadro europeu. O mesmo se passa com o BCP, que pode ver limitado o seu interesse na compra do NB pelo facto de lhe faltar reembolsar 750 dos três mil milhões que recebeu do Estado. O presidente do BCP já se comprometeu a pagar o que falta até ao fim do ano e a expectativa presidencial é que as instituições europeias “não lancem aqui confusões adicionais”.

Como tema central, Marcelo leva a pressão da Comissão Europeia, que por discordar das contas de Lisboa faz um compasso de espera em relação a possíveis sanções por causa do défice de 2015. O PR, que nesta viagem será acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, tem duas tarefas nesta frente, nenhuma fácil. A primeira será convencer Merkel de que é injusto penalizar Portugal por défice excessivo depois dos esforços dos últimos anos e com base numa questão de décimas. O Governo diz que, descontando o efeito Banif, prevê 3% para 2015, em cima do limite; a Comissão fala em 3,2%, por divergências sobre a classificação de algumas operações do governo anterior.

E Marcelo tem pedido à UE bom senso para que “a compreensão do sacrifício dos portugueses possa pesar”. Apostado em mostrar que há, sobre isto, um consenso nacional, o PR falou esta semana com Passos Coelho e Assunção Cristas, pedindo-lhes para, até julho, usarem os seus canais na Europa para fazer lóbi antissanções.

A segunda tarefa será explicar por que razão um Presidente de centro-direita deu posse e tem segurado um Governo socialista, apoiado por partidos que a direita europeia vê como esquerda radical e que teme ver contagiar Espanha. Marcelo tem outra preocupação: evitar que Portugal caia num impasse à espanhola. No fundo, o PR também vai a Berlim defender a “geringonça”.