Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

CDS resume seis meses de Governo PS: desilusão, descrédito, desnorte, desemprego, défice e dívida

  • 333

ESTELA SILVA

Assunção Cristas encontrou seis palavras começadas por D para descrever os seis meses de acordo das esquerdas. Nenhuma delas é positiva

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Com seis palavras apenas, o CDS descreve o primeiro semestre do Governo encabeçado por António Costa. No balanço dos primeiros seis meses do Executivo que o acordo das esquerdas permitiu, Assunção Cristas não perde tempo com rodeios: “Desilusão, descrédito e desnorte” são os substantivos que, no seu entender, melhor definem o que se passou desde o dia 26 de novembro de 2015 (data da posse do XXI Governo), um rumo que conduzirá, não tem dúvidas, a mais “desemprego, défice e dívida”.

A presidente do CDS afirma ver “um desfasamento muito grande entre o que foi dito e prometido e a realidade de hoje”. Um ano depois da apresentação do cenário macroeconómico, quando a criação de emprego foi apresentada como a prioridade das prioridades para os socialistas, “o desemprego está a subir”, nota Cristas. Um ano depois do então secretário-geral do PS ter anunciado “o fim da austeridade”, “a classe média está sobrecarregada com mais impostos”, afirma, referindo-se ao Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, o fim do quoficiente familiar nas deduções em IRS e o previsto aumento do IMI .

A isto soma-se, na análise da líder centrista, um crescimento económico mais débil do que o previsto, sem tradução visível do esperado “choque de consumo” na queda nas exportações e no aumento das importações. O CDS aponta ainda um decréscimo dos apoios sociais aos mais carenciados, resumindo: “A governação de António Costa tem sido uma grande desilusão. Falhou em toda a linha”.

Assunção Cristas acusa o primeiro-ministro de estar a “colocar em causa tudo o que os portugueses conseguiram nestes quatro anos”. As contas do Governo, diz, “não batem certo com a realidade”, pelo que “os avisos [das instâncias internacionais] sucedem-se a um ritmo semanal”. “O investimento estava a crescer 2,4% [no último trimestre] e os últimos dados do INE falam de uma desaceleração significativa”. O que, da sua perspetiva, significa que “o Governo não gera confiança e dá sinais totalmente errados”.

É um Executivo, no seu entender, “desnorteado” entre as exigências de BE e PCP e os compromissos internacionais: “O primeiro-ministro desautoriza o ministro das Finanças; não se conhece uma ação ao ministro da Economia; o ministro da Educação está sob tutela da Fenprof; o ministro da Agricultura não tem peso político e recorre a sucessivos expedientes para culpar o Governo anterior”.

À cabeça desta equipa, aponta: “Um primeiro-ministro cheio de si mesmo e que acredita que as vacas voam. Eu fui ministra da Agricultura durante quatro anos e posso atestar que as vacas não voam, a realidade não muda assim”. No fim disto tudo, antecipa, teremos “um Governo a conduzir o país para mais três D's: desemprego, défice e dívida.