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Política

Costa tem de pensar nas “implicações orçamentais” do regresso das 35 horas

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Peter Praet, economista chefe do BCE

Tiago Miranda

Peter Praet, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, alerta o primeiro-ministro para os custos de reversão das medidas do anterior Executivo. “Penso que o Governo está bem ciente da fragilidade da situação”, diz

Portugal atravessa um período em que ainda “existem vários pontos de interrogação” sobre o futuro, não só no plano orçamental mas também no plano das reformas estruturais, diz Peter Praet, um dos seis membros do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), em entrevista ao “Público” esta segunda-feira.

"Há uma declaração política de continuidade e de intenção de seguir as regras europeias, isso é positivo, mas há algumas dúvidas acerca dos detalhes e sobre os pressupostos macroeconómicos. Portanto, isto é algo que estamos a seguir e eu penso que o Governo está bem ciente da fragilidade da situação", afirma Peter Praet.

Devido à reversão das reformas do Governo anterior, o membro do BCE lembra que António Costa tem de “levantar uma série de questões”. “Quais são as implicações orçamentais, por exemplo, se se voltar para a semana de 35 horas?", questiona sobre uma das medidas mais debatidas nas últimas semanas, dentro e fora do Parlamento.

Portugal e António Costa têm de estar alertas, adverte Praet. "Recentemente, vimos as taxas de juro de Portugal a subir. Isto mostra que a disciplina do mercado está presente, mesmo apesar do facto de o BCE comprar dívida pública do país. Portugal não deve esquecer esta mensagem: a disciplina do mercado ainda está presente.”