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“A geringonça está para durar”, diz Marques Mendes

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Marques Mendes é comentador de política da SIC

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O antigo líder do PSD considera que não haverá rutura no acordo de esquerda, sublinhando que os problemas do Governo são sobretudo “do lado da economia e de Bruxelas”. Quanto aos alertas de Marcelo, diz que são “avisos amigos”

Prestes a completar seis meses, o Governo de António Costa tem atuado globalmente bem na visão de Marques Mendes, que destaca o papel chave do primeiro-ministro: “Costa controla tudo, é pragmático, pode não ter um pensamento muito estratégico, nem ser especialista em Economia e Finanças, mas é de facto talentoso e brilhante. Construiu uma solução governativa e tem vindo a subir nas sondagens”, afirmou o antigo líder do PSD, este domingo, no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Segundo Marques Mendes, não haverá uma rutura no acordo de esquerda, sendo que os problemas do Governo são sobretudo do lado da economia e de Bruxelas. “Do meu ponto de vista a geringonça está para durar. Eu acho que não vão ter uma rutura do lado da política, se houver será do lado da economia”, realçou.

Além de o Executivo saber gerir bem a vida política, sublinha Marques Mendes, não é de esperar problemas por parte da oposição, nem da sua base de apoio – o PCP e o BE. “Mesmo que não estejam de acordo, estão sempre com um pé dentro e outro fora. Dentro do Parlamento apoiam e cá fora compensam e criticam. Isto é o cimento daquela coligação”, sustentou.

Para Marques Mendes, o principal obstáculo do Governo será a possibilidade de a economia não arrancar e melhorar o seu desempenho. “Bruxelas tem tido um comportamento com Portugal soft, tem dado folga, mas pode piorar”, alertou.

Questionado sobre os alertas do Chefe de Estado, Marques Mendes considerou que são “avisos amigos” para António Costa. “Esta foi uma semana diferente do nornal. Foi a primeira vez que o Presidente da República fez alguns avisos, embora suaves, houve uma demarcação ligeira e suave do Governo. O grande aviso sobretudo foi do domínio da economia.”

Com isto, o antigo líder dos sociais-democratas não quer dizer que Marcelo Rebelo de Sousa se transforme num adversário do Governo, realçando que isso mostra apenas que o Presidente está preocupado com a situação económica do país, defendendo a necessidade de prudência.

Pela negativa, Marques Mendes destaca a reposição das 35 horas semanais na Função Pública, considerando que existem dois regimes dentro da Função Pública e que era preciso ter mais cuidado com a despesa. “O Governo não tem sido prudente na questão das 35 horas, por exemplo. (...) As reformas políticas fazem-se ao centro e não à esquerda.”