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António Costa insiste num “banco mau”

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ANTONIO COTRIM / LUSA

O governador do Banco de Portugal quer, o primeiro-ministro diz que é preciso, mas os banqueiros nem querem ouvir falar

Apesar de a maioria dos grandes banqueiros estar contra a ideia de um qualquer “veículo” para limpar os créditos malparados, o primeiro-ministro secunda a ideia do governador do Banco de Portugal de que não é possível resolver a questão dos bancos portugueses sem que se libertem do que chamou “os ativos não produtivos que não geram rendimento, ativos imobiliários e ativos de risco”.

“A solução de tal veículo não é fácil, mas é do interesse da própria banca”, disse ao Expresso António Costa, para quem a necessidade da criação de tal mecanismo é imposta pelas recomendações da Comissão Europeia, que especificamente fala na necessidade de “tomar medidas, até outubro de 2016, para facilitar a limpeza dos balanços das instituições de crédito e resolver o problema do elevado nível do crédito malparado”.

Numa conferência sobre a banca realizada esta semana, António Costa defendeu aliás que “os reguladores e as instituições financeiras devem articular-se para esta situação”. Muitos dos ativos não são “lixo”, mas sim oportunidades de negócio não rentáveis atualmente ou ativos sobreavaliados. Uma solução poderia ser colocá-los no veículo à parte, mas que teria de ser financiado pela banca.

A ideia, todavia, desagrada aos banqueiros e mesmo ao Presidente da República, que na mesma conferência, falando sobre os “ativos não produtivos”, pediu uma “fórmula” que “não implique avançar para modelos de duvidosa exequibilidade ou de custos incomportáveis”.