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Os interesses de PS, PSD e CDS nos colégios

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O Colégio Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha, é um dos que tem contrato de associação com o Estado

Nuno Fox

Lista de escola tem vários nomes de políticos ou ex-políticos como António Calvete, Fernanda Mota Pinto ou António Robalo

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Um ex-deputado do PS, um presidente de câmara do PSD, uma ex-deputada do PSD, um ex-dirigente do CDS. Na lista dos 79 colégios privados que têm contratos de associação com o Estado, cruzam-se vários interesses partidários.

À cabeça aparece António Calvete, que já foi deputado pelo PS e está ligado a 12 colégios privados através do grupo GPS ou em nome próprio. É diretor de escolas em Coimbra, Figueira da Foz ou Caldas da Rainha. Ao Expresso, confirmou o número mas não quis fazer declarações. Tem sido sempre discreto, para mais depois das notícias de que o grupo GPS está a ser investigado por corrupção (houve buscas em 2014), sem ter sido ainda deduzida qualquer acusação.

Porém, há igualmente ligações ao PSD. O Colégio São Martinho, em Coimbra, é dirigido por Fernanda Mota Pinto, viúva do fundador do PSD, Carlos Alberto Mota Pinto, e também ela ex-deputada do PSD. Em Soure, o Colégio D. José I é gerido por dois deputados municipais do PSD.

Já o Externato do Soito é dirigido pelo próprio presidente da Câmara do Sabugal, António Robalo. Ao Expresso, frisa que o Tribunal Constitucional declarou não haver incompatibilidade pelo facto de o cargo não ser remunerado e mostra-se mais preocupado com a diminuição generalizada do número de alunos do que com o corte nos contratos de associação. A escola (uma cooperativa) é pequena, tem apenas quatro turmas financiadas e situa-se a 15 km da escola pública. “É uma escola de serviços mínimos. O nosso drama é não haver crianças”, explica o ex-professor de Matemática da escola, lembrando que todo o concelho (no distrito da Guarda) está a perder alunos a cada ano que passa.

No distrito de Aveiro, há um colégio que é dirigido pelo ex-presidente do CDS-Murtosa e que já foi candidato a deputado à Assembleia da República, Pedro Marques. E ainda o caso do responsável do Estabelecimento de Ensino Santa Joana que é simultaneamente presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Encarnação (escolas públicas). Dado que por lei este cargo pode ser exercido por representantes da comunidade local, o Ministério da Educação não encontrou incompatibilidade.

Texto publicado na edição do EXPRESSO de 14 maio 2016

  • Por que é que o Estado precisa dos privados na Educação?

    Numa altura em que muito se discute o financiamento do Estado ao ensino privado, o Governo está decidido a não continuar a pagar turmas em colégios quando ao lado existam estabelecimentos públicos com vagas disponíveis. Mas também admite que vai continuar a precisar deste sector. Até para cumprir várias promessas que constam do programa do Governo e que dificilmente conseguiria se contasse apenas com a oferta pública. As áreas agora invocadas para acalmar a contestação do sector particular e cooperativo – pré-escolar, ensino artístico e cursos profissionais – são precisamente aquelas que há muito o Estado subsidia. E que o atual Governo promete continuar a financiar. Eis alguns números. E não são pequenos