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BE afasta hipótese de mais austeridade

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

“Não, não podem esperar mais austeridade, não é esse o caminho que nós estamos a fazer, não foi esse o nosso projeto”, assim reage Mariana Mortágua ao propósito da Comissão Europeia poder manter Portugal sob Procedimento por Défice Excessivo

O Bloco de Esquerda acusa a Comissão Europeia de querer "ganhar tempo" e pressionar o período eleitoral espanhol com o adiamento do anúncio de eventuais sanções a Portugal e Espanha e afasta a hipótese de mais austeridade no país.

Questionada esta quarta-feira sobre se os portugueses podem esperar mais austeridade face às posições anteriormente veiculadas pela Comissão Europeia, a deputada do BE Mariana Mortágua assegurou que "no que depender da maioria que o Bloco de Esquerda faz parte" isso não acontecerá.

"Não, não podem esperar mais austeridade, não é esse o caminho que nós estamos a fazer, não foi esse o nosso projeto", afirmou a deputada em declarações aos jornalistas no Parlamento, a propósito da decisão da Comissão Europeia de manter Portugal sob Procedimento por Défice Excessivo, recomendando ao Governo que avance com uma correção duradoura do défice até 2017 e prometendo voltar a olhar para a situação do país em julho.

Relativamente ao adiamento de "supostas sanções" para julho, Mariana Mortágua diz tratar-se de uma "estratégia ou jogo" por parte de Bruxelas, para só existir uma decisão depois das eleições espanholas, marcadas para 26 de junho.

Alinhando com a leitura anteriormente feita pelo deputado do PS José Galamba, Mortágua subkinhou: "Acredito que a Comissão Europeia ao não divulgar já uma posição formal sobre as sanções, o que está a fazer é a ganhar espaço para poder pressionar de alguma forma não só o período eleitoral, mas também a formação política que sair em Espanha", disse.

Recordando o que aconteceu em Portugal quando se estava a negociar o último Orçamento do Estado, quando se assistiu "a todas as pressões da Comissão Europeia", a deputada do BE insistiu que dá sempre "jeito" a Bruxelas "nunca ter uma posição formal para poder, de forma informal, ir pressionando quer as populações, para não apoiarem nenhuma solução que não seja aquela que é defendida pela Comissão Europeia, quer os Governos quando são eleitos com uma outra estratégia".

Mariana Mortágua criticou ainda a "hipocrisia" dos líderes do PSD e do CDS, Passos Coelho e Assunção Cristas, que em Portugal escrevem cartas à Comissão para ser "branda com as sanções", mas depois a nível europeu fazem parte de um grupo partidário que exige intransigência.

Na conferência de imprensa de apresentação das decisões tomadas esta tarde pelo executivo comunitário no quadro do semestre europeu de coordenação de políticas económicas, o comissário europeu dos Assuntos Económicos Pierre Moscovici indicou que a Comissão decidiu propor que seja dado "mais um ano, e apenas mais um ano" a Portugal para colocar o seu défice abaixo dos 3% do Produto Interno Bruto.

Relativamente à "muita especulação" em torno de eventuais sanções a Espanha e Portugal, Moscovici comentou que a Comissão concluiu que "este não é o momento certo, económica ou politicamente, para tomar esse passo", mas frisou que a situação voltará a ser analisada "no início de julho".