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35 horas. Enfermeiros acusam Centeno e o PS de “brincar com a saúde das pessoas”

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José Ventura

Bastonária da Ordem diz que mil novos enfermeiros não chegam para fazer face às necessidade do aumento do horário de trabalho

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros acusa o PS e o ministro das Finanças de "brincar com a saúde das pessoas". Tudo porque o líder parlamentar do PS, Carlos César, admitiu ao Expresso que o concurso para admissão de novos enfermeiros que foi aberto no ano passado pelo Governo de Passos Coelho será suficiente para fazer face à mudança do horário de trabalho das 40 para as 35 horas.

"Eu continuo a acreditar no ministro da Saúde, porque é um homem que conhece a realidade dos serviços de saúde. Se dois mil já era pouco, mil é brincar com a saúde das pessoas", afirma ao Expresso a bastonária da Ordem dos Enfermeiros Ana Rita Cavaco, lembrando declarações de Adalberto Campos Fernandes a defender a contratação de dois mil novos enfermeiros. "É bom que de uma vez por todas o PS e o senhor ministro das Finanças percebam que estão vidas em risco. Se não percebem, eu levo-os comigo aos serviços. Os enfermeiros estão esgotados. Precisam das 35 horas", acrescenta.

Na sexta-feira, o PS entregou na Assembleia da República uma proposta de alterações à reposição do horário das 35 horas na função pública a partir de dia 1 de julho admitindo o faseamento, nomeadamente nos serviços que não a consigam fazer de imediato, como é o caso da Saúde.

Ora, as contratações na Saúde são demoradas. O concurso aberto por Passos Coelho para enfermeiros no ano passado está longe de estar concluído. Concorreram 11 mil profissionais, o júri tem apenas duas pessoas que não estão a tempo inteiro, a entrevista pessoal é obrigatória e, portanto, será impossível com este método concluir o concurso até ao final deste ano. Uma das questões que a própria Ordem dos Enfermeiros coloca é a necessidade de se mudar as regras dos concursos de modo a agilizar todos estes procedimentos.

Contactados pelo Expresso, nem o Ministério da Saúde nem o das Finanças querem comentar a forma como será implementado o horário das 35 horas, nem quanto isso vai custar. Esta tarde, Mário Centeno vai ao Parlamento para uma audição regimental na Comissão de Trabalho.