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Reuniões a cinco (do Governo e de toda a esquerda) acabaram em fevereiro

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Costa, Catarina e Jerónimo, no Parlamento, no dia em que o OE para 2016 foi aprovado

Nuno Botelho

Os encontros das terças-feiras, que juntavam a maioria parlamentar na mesma mesa, deixaram de realizar-se há três meses

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

As reuniões semanais que juntavam no Parlamento o Governo e as lideranças das bancadas dos partidos que o suportam (PS, Bloco, PCP e Verdes) foram interrompidas no início da discussão do Orçamento do Estado, em fevereiro. E nunca mais foram retomadas, confirmou o Expresso junto de intervenientes. Outros dos contactados, no entanto, recusaram comentar a questão.

Quando foram anunciadas, no final de novembro, o propósito era que essas reuniões (à terça-feira, véspera da conferência de líderes) servissem para afinar a coordenação dentro da maioria parlamentar. Por outro lado, como o entendimento assentou em acordos bilaterais, essas “cimeiras” eram o único momento em que os cinco partilhavam a mesma mesa.

Afinal, essa prática cessou há cerca de três meses. Da parte do Executivo e de alguns partidos tal circunstância é desvalorizada. Fonte do Governo salienta que “há reuniões com o PCP e o BE todos os dias”. E ante a pergunta se são encontros conjuntos ou bilaterais, a resposta é evasiva e apenas repete que são “todos os dias e várias vezes ao dia, com diferentes membros do Governo”. O próprio líder parlamentar do PS, Carlos César, considera que “há um automatismo na gestão da participação parlamentar” e que “os coordenadores das diversas áreas falam diretamente” resolvendo-se assim “90% dos casos”.

Heloísa Apolónia, dos Verdes, diz que não vai “tornar público” o que “são reuniões de trabalho”. Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, recusou fazer qualquer comentário. Heloísa acrescenta, no entanto, que “está tudo a funcionar bem, na perspetiva dos Verdes, na relação com o Governo”. A dois, claro.

Para João Oliveira, o líder parlamentar do PCP, tais reuniões, que “nunca foram institucionalizadas”, apenas se “realizaram em função das necessidades”.

Aprovado o OE, “nunca mais se colocou a necessidade” de reunir a cinco, explica. Reconhecendo que tais encontros tinham um “carácter simbólico” que entretanto se perdeu, o líder parlamentar do PCP prefere ”dar mais relevância ao resto, aos aspetos operacionais. E esses são mantidos de outra forma, pois temos conversado todos, uns com os outros”.

Se o fim das reuniões conjuntas é um facto, as razões já são menos objetivas. Um dos envolvidos atribuiu-as a reiteradas impossibilidades de agenda do PCP. “Isso é falso”, afirma João Oliveira. “Ninguém sentiu necessidade de retomar esse espaço de discussão. É que ninguém colocou a questão, pelo menos ao PCP”.