Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos alerta para risco de “morte lenta” da economia

  • 333

Tiago Miranda

Líder do PSD diz esperar que o Governo ainda vá a tempo de corrigir a trajetória a breve prazo, sob pena de a economia caminhar para uma “morte lenta”

O líder do PSD criticou esta sexta-feira a estratégia do Governo, defendendo que é preciso atrair mais investimento externo e impulsionar as exportações.

“É verdade que divergimos no caminho que o Governo adotou em termos de estratégia económica. É nossa convicção que Portugal terá sempre um mercado interno pequeno para absorver o desemprego e pagar suficientemente a dívida acumulada”, afirmou Passos Coelho no debate quinzenal.

Passos disse ainda esperar que o Governo vá a tempo de corrigir a trajetória a breve prazo, sustentando que é necessário “manter o crescimento moderado, atrair o investimento externo e dinamizar as exportações, “sob pena de nos encaminharmos para uma morte lenta”. “Há postos de trabalho que estão a ser destruídos, porque há investimento que está a cair a pique.(...) Hoje já começamos a entrar no terreno que já não há muito tempo para fazer correções. Já se começa a perceber que vai haver maus resultados este ano se o Governo não alterar a estratégia”, observou.

Assumindo que o PIB crescerá cinco vezes mais do que no primeiro trimestre, realça o líder do PSD, “ainda assim ficará muito longe do objetivo do Governo. Nem o défice, nem a dívida serão objetivos alcançados este ano pelo Governo e pelo país, infelizmente, se alguma coisa não mudar. Senhor primeiro-ministro, enquanto é tempo o que vai mudar?”, questionou.

Referindo-se à desaceleração económica, o primeiro-ministro António Costa salientou que o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) começou a diminuir já no final do ano passado, defendendo que o desempenho das exportações está a ser penalizado pela conjuntura internacional.

“Ao longo de 2015, o PIB foi perdendo o fôlego. Vê-se bem em comparação com o crescimento do 1.º trimestre de 1,7% e de 0,3% no último trimestre”, afirmou António Costa.

Ainda relativamente às exportações, o primeiro-ministro assegurou que não está em causa um problema de produção – uma vez que o mercado português continua a crescer em países como Espanha, Reino Unido ou França –, mas um problema relacionado com o mercado externo, dando como exemplo o mau desempenho na Alemanha e Angola.

Costa garantiu também que o Governo continua a apostar no sector exportador, lembrando que foi reforçado o quadro institucional da AICEP e criada uma secretaria de Estado de apoio à internacionalização.

Quanto ao emprego, Costa diz que os dados do primeiro trimestre traduzem o número de pessoas inativas e à procura de emprego e confirmam a intenção do Executivo de criar “empregos de qualidade”. “Para inverter a trajetória é preciso tempo”, reconheceu.

  • António Costa insiste: “Não há plano B”

    Na abertura do debate quinzenal, Assunção Cristas questionou o primeiro-ministro sobre a “ideia da austeridade à la esquerda”, acusando o Governo de aumentar os impostos. Em resposta, António Costa garantiu que não existe nenhum plano B, nem está previsto nenhuma subida da carga fiscal

  • Em direto do Parlamento: Cristas desafia Costa para rever semanal do imposto sobre combustíveis

    Hoje é dia de debate quinzenal no Parlamento. As questões económicas, como por exemplo o preço dos combustíveis, as exportações e o desemprego dominam a discussão entre a oposição e o primeiro-ministro, numa semana que ficou marcada pelas críticas do PSD e CDS à decisão sobre os contratos de associação com as escolas privadas. Minuto a minuto SIC / Parlamento Global, direto vídeo SIC Notícias