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PSD exige que Costa seja “claro” e revele que documentos enviou para Bruxelas

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ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Luís Montenegro acusa o primeiro-ministro de “inconsistência e incongruência”, ao negar recentemente no Parlamento a existência de um “plano B”, para na entrevista desta quarta-feira à SIC dizer “precisamente o contrário”

O líder parlamentar do PSD exigiu esta quinta-feira que o primeiro-ministro seja "claro" e revele o que enviou para a União Europeia, mesmo sendo "um plano de contingência" e acusou António Costa de inconsistência e incongruência de posições.

"Aquilo que se exige hoje é que o primeiro-ministro possa ser de uma vez por todas claro e não ande a esconder nada do país, diga exatamente o que é que preparou, diga exatamente o que é que enviou para a União Europeia, ainda que seja um plano de contingência, como nós próprios lhe chamámos", afirmou o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no final da reunião do grupo parlamentar.

A reunião da bancada do PSD contou com a presença do presidente do partido, Pedro Passos Coelho.

Referindo-se à entrevista do primeiro-ministro à SIC na quarta-feira à noite, Luís Montenegro considerou que António Costa "tem vindo a dar muitas mostras de inconsistência e incongruência naquilo que são as suas posições e a criar confusão no país".

No último debate quinzenal, há cerca de duas semanas, recordou o líder parlamentar do PSD, quando questionado sobre a existência de um "plano B" ou um "anexo secreto ao Programa de Estabilidade", António Costa "foi claro" e disse que havia medidas que estavam previstas para os anos de 2017 e 2020 e que "não havia nada secreto, nem nenhum plano para 2016".

"Ontem [quarta-feira], com a mesma tranquilidade com que respondeu no parlamento, numa entrevista televisiva diz precisamente o contrário e é mesmo precisamente o contrário", vincou Luís Montenegro, sublinhando que "esta contradição que tem sido permanente" não abona à credibilidade do Governo e do país.

Na entrevista à SIC, o primeiro-ministro falou de um documento que o Governo preparou para a Comissão Europeia "para ser aplicado no caso de a execução vir a revelar riscos na sua execução".

Interrogado se, afinal, essas medidas podem ser aplicadas já em 2016, António Costa respondeu afirmativamente, acrescentando: "Como se recorda, foi muito discutido se vai haver plano B. Aquilo que a Comissão Europeia nos exigiu foi que, no caso de a execução orçamental de 2016 não correr bem, termos de adotar novas medidas".

O primeiro-ministro sublinhou ainda que essas medidas só serão aplicadas se for necessário e recordou que a "execução orçamental do primeiro semestre está perfeitamente em linha" com expectativas do Governo.

"É um registo que nós não compreendemos, que nós denunciamos e que o país não merece, o país não merece um primeiro-ministro que diz uma coisa a cada 15 dias ou a cada oito dias, o país merece uma linha de rumo, mesmo que nós estejamos contra ela", disse o líder

Questionado sobre as críticas feitas pelo primeiro-ministro do líder do PSD na entrevista à SIC, quando António Costa acusou Pedro Passos Coelho de encarar as associações sindicais como "organizações criminosas", Luís Montenegro considerou que "elas não têm nenhuma adesão a nenhuma intervenção do líder do PSD".

"Eu creio que o primeiro-ministro, que é também secretário-geral do PS, devia era estar preocupado com a forma insultuosa como deputados proeminentes do PS se dirigem ao líder do PSD e a um ex-primeiro-ministro", referiu.