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Catarina Martins: “Quando uma moeda não serve uma economia mas a destrói, se calhar temos um problema”

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NUNO VEIGA/LUSA

Líder do BE diz não admitir nenhuma alteração ao IVA e defende na Saúde o fim das parcerias público-privadas quanto antes

“Quando uma moeda não serve uma economia mas a destrói, se calhar temos um problema.” Ou seja, o euro não deve ser um tema intocável. Esta não é uma posição nova por parte do Bloco de Esquerda, mas talvez uma que tem sido menos verbalizada desde que o partido aceitou integrar a geringonça governativa.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta quinta-feira, volta a tocar no assunto, ao mesmo tempo que assume a possibilidade de existirem “geringonças locais” para as eleições autárquicas, “se houver resultados e projetos para isso”, e deixa recados ao Presidente da República.

O BE não vai admitir nenhuma alteração ao IVA e defende ainda que o Novo Banco “não deve ser vendido”. “Não admitimos nada no IVA, nem sequer o discutimos”, explicita ao “DN”.

A líder bloquista deixa ainda elogios a Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, alguém que tem “tido um trabalho muito complicado e está a ter coragem para o fazer”, nomeadamente com a mudança dos contratos de associação com os colégios. “É alguém que acredita muito na educação enquanto instrumento de igualdade, de cidadania."

Quanto à força da geringonça, Catarina refere que a atual maioria só fica em causa se “o Orçamento de 2017, em vez de recuperar os rendimentos do trabalho os atacar”.

Para a dirigente do Bloco, as parcerias público-privadas (PPP) na Saúde “já deviam ter acabado”. “É preciso, o quanto antes, que o Governo acabe com as rendas públicas pagas aos negócios privados na Saúde. Não são só PPP, é o excesso de contratualização com privados.” Desta forma, defende, seria possível emagrecer as contas do Estado.

Ao comparar Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva, a dirigente do BE diz que “as diferenças do ponto de vista de opção política não são tão grandes quanto isso.” Mas a forma como Marcelo se relaciona com o cargo e com o país é muito diferente, admite, “e ser Presidente é isso.”

Ainda assim, Marcelo não escapa sem um aviso, reflexo da sua dita “hiperatividade”. “Quando o Presidente considera que deve ter posição pública sobre todos os assuntos do país, nas suas diversas esferas, está a chamar à Presidência temas que não são da sua competência, e é isso que tem acontecido”, sublinha.

Falar de “geringonça” é falar de um cognome depreciativo vindo da direita. Mas Catarina Martins não pensa da mesma maneira: “É uma palavra tão engraçada, acho que ficou. Acontece muitas vezes: as coisas são utilizadas com um propósito e depois, se forem apropriadas, deixam de ser ofensivas.”

​Do outro lado da barricada Catarina Martins não vê uma geringonça, mas diz que “a direita que ainda não sabe muito bem o que está a fazer”, pois o CDS “está a tentar distanciar-se e o PSD “continua um bocadinho a oscilar entre ‘a Europa vai dar cabo desta maioria’ ou ‘se nós esperarmos, eles são tão irresponsáveis que aquilo acaba’. Diria que a direita é uma realidade em ajustamento.”