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Vieira Monteiro diz que as reduções no Banif não vão passar por despedimento coletivo

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José Carlos Carvalho

O líder do Santander Totta diz que “ao longo do tempo” vão fazer “rescisões amigáveis”, “reformas e pré-reformas”

O líder do banco Santander Totta, António Vieira Monteiro, afastou esta quarta-feira a possibilidade de a entidade avançar com um despedimento coletivo depois de ter comprado o Banif, admitindo contudo que vai haver redução de trabalhadores.

“Nós não faremos despedimentos no sentido estrito da palavra. São rescisões amigáveis que iremos fazer ao longo do tempo. E reformas e pré-reformas”, afirmou o responsável perante as questões da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua na comissão de inquérito ao Banif.

“O Novo Banco também tem em curso rescisões amigáveis à moda do ‘padrinho’. Não podem ser recusadas”, lançou a deputada bloquista.

Vieira Monteiro deu o ‘troco’: “Nós não temos esse sistema. Ainda há pouco tempo os sindicatos reconheceram isso. Despedimentos coletivos, isso não há”.

Já João Almeida, deputado do CDS, insistiu no tema, perguntando ao líder do Santander Totta se estão a apresentar a funcionários do ex-Banif propostas de rescisão amigáveis devido a extinções de postos de trabalho, algo que Vieira Monteiro negou ter conhecimento.

E passou a palavra para José Brito Sítima, administrador com o pelouro jurídico do Santander Totta que o acompanhou nesta audição, tal como Manuel Preto, administrador financeiro.

“O banco não tem nenhum plano de rescisões por extinção do posto de trabalho. Se há, pontualmente, rescisões amigáveis é por interesse do próprio trabalhador”, vincou José Brito Sítima.

João Almeida não desarmou e disse que tem informações que apontam no sentido inverso ao da resposta.

“Se chegarem cá documentos a prová-lo, são falsos? Eu sei que há. Há uma carta com proposta de rescisão devido a extinção de posto de trabalho”, reforçou o deputado centrista.

“Não reconheço essa carta, não sei. O banco não tem um plano no sentido em que o está a colocar aqui”, respondeu Sítima, repetindo que o banco não faz rescisões por extinção do posto de trabalho porque tal implica o despedimento.

“O mútuo acordo é uma figura jurídica que se opõe ao despedimento”, realçou o administrador do Santander Totta.

“O problema é que sendo rescisões por mútuo acordo com fundamento em extinção de posto de trabalho podem dar acesso a subsídio de desemprego, o que representa mais um encargo para o Estado”, destacou o deputado do CDS.