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Totta esteve quase a desistir da compra do Banif

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José Carlos Carvalho

O presidente do Santander Totta indicou perante a comissão de inquérito que questões levantadas por Bruxelas relativamente à questão dos auxílios do Estado quase os fez desistir

O Banco Santander Totta esteve perto de desistir da aquisição do Banif durante uma reunião no Banco de Portugal, devido às questões levantadas telefonicamente por Bruxelas sobre a questão dos auxílios de Estado, revelou esta quarta-feira o presidente Vieira Monteiro.

“Meteram-nos um telemóvel à frente, em alta voz, e falámos com a DG Com [Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia]. A DG Com começou por analisar a nossa proposta no âmbito da venda privada e questionou-nos sobre a nossa proposta”, afirmou António Vieira Monteiro durante a sua audição na comissão de inquérito ao Banif.

“Em seguida, entrou-se numa discussão sobre o que era considerado auxílio de Estado. Nós dissemos desde o início que não aceitávamos que fosse considerada ajuda de Estado. Não autorizaríamos que no futuro a DG Com tivesse qualquer controlo sobre a nossa atividade”, sublinhou.

E destacou: “Era uma questão ‘sine qua non’ [decisiva]. Se isso não fosse aceite, o Banco Santander Totta levantava-se e saía da reunião. Aliás, esteve para acontecer. A conversa ía nesse sentido e nós fechamos os papéis e preparámo-nos para ir embora”.

Segundo o gestor, “a terceira parte foi como iríamos fazer a integração dos ativos do Banif”.
Vieira Monteiro estava a responder às questões colocadas por Miguel Tiago, deputado do PCP, sobre o conteúdo da conversa telefónica tida com Bruxelas numa reunião que decorreu a 18 de dezembro.

“Até determinado momento falava-se de ajuda de Estado, mas como a conversa era em inglês, pode ter havido algum engano”, frisou o líder do Santander Totta, em tom descontraído, ainda que sublinhando que o administrador financeiro do banco, Manuel Preto, que era quem dava as respostas à DG Comp é fluente na língua inglesa, até porque estudou muitos anos no estrangeiro.

Para o deputado comunista, “fica claro que a DG Com recuou face à posição do Banco Santander Totta. Mas não o fez com a Caixa Geral de Depósitos (CGD)”.

Esta referência tem por base a intenção manifestada pelo Governo português junto da Comissão Europeia de fazer uma integração do Banif no banco público, que foi recusada por Bruxelas uma vez que a CGD ainda não devolveu os auxílios estatais de que beneficiou em 2012.