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Ministro da Educação: “O meu interesse é só o interesse público”

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Alberto Frias

Tiago Brandão Rodrigues respondeu a Pedro Passos Coelho, que o acusara de defender outros interesses que não os da educação, na audição parlamentar ainda acerca da demissão do secretário de Estado da Juventude e Desporto

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Chamado à comissão parlamentar de Juventude e Desporto, a requerimento do PSD, para esclarecer as razões da demissão, acerca de um mês, do secretário de Estado João Wengorovius Menezes, Tiago Brandão Rodrigues aproveitou para responder a Pedro Passos Coelho que, no fim de semana, a propósito da controvérsia sobre os contratos de associação, acusou o ministro de defender interesses que não os da educação. "O meu interesse é só o interesse público", retorquiu Tiago Brandão Rodrigues, numa resposta ao deputado social-democrata Cristovão Simão Ribeiro mas cujo alcance ia, obviamente, até às declarações do presidente do PSD.

Lamentando não estar a ser ouvido sobre as suas políticas para a juventude, Tiago Brandão Rodrigues desvalorizou a demissão do seu secretário de Estado: "A minha política é de causas, não de casos", disse, recusando alimentar o que considerou serem "insinuações forçadas e vagas". Sobre as razões da saída de Wengorovius Menezes - que justificou, num post da sua página do Facebook, "divergências" com o seu superior hierárquico sobre a política de juventude e desporto e quanto ao "modo de estar" do ministro - o governante limitou-se a dizer que "ninguém se deve sentir melindrado com as divergências". Mas reforçou que "a política é só uma - a do Governo - e o seu intérprete, neste caso, é o ministro e a sua equipa". Quanto ao "modo de estar", respondeu apenas: "Não sei do que fala. A minha forma de estar na política é a transparência. O meu interesse é só o interesse público".

Para o ministro, que foi defendido pelos três partidos que suportam o Governo, "não existe matéria relevante [neste caso] para pensar que há aqui má decisão, má gestão, má fé". E ainda: "Não atribuo importância ao uso do Facebook". "num país de liberdade como o nosso cada um diz o que entende. Não me cabe a mim alimentar especulações vazias de sentido". Preferindo focar-se no facto de Wengorovius ter sido já substituído, afirmou ainda: "O programa do Governo sobre política de juventude e desporto é muito completo e também muito exigente (...). João Paulo Rebelo [o novo secretário de Estado] trará uma boa dinâmica e valências ao trabalho do ministério".

O ministro recusou explicar se o secretário de Estado se demitiu por causa de divergências sobre nomeações de pessoas para o gabinete, como o próprio alegou, ou se foi por causa da polémica do doping que pedia ações urgentes por parte do governante com essa tutela e que tardaram.

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    Em 2011, a então ministra da Educação, Isabel Alçada, pediu um estudo à Universidade de Coimbra para saber se havia turmas no privado que estavam a ser financiadas pelo Estado apesar de haver oferta disponível em escolas públicas próximas. António Rochette foi o autor do estudo que concluiu que era possível cortar esses contratos de associação em 80% dos colégios. Cinco anos depois recorda ao Expresso Diário as pressões que sentiu. “Fui linchado, fui enxovalhado nas redes sociais, nos jornais. Até mata-frades me chamaram”