Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

CDS marca debate sobre “turbulência” na educação

  • 333

ANTONIO COTRIM / LUSA

Nuno Magalhães anunciou que os centristas vão fazer uma interpelação ao governo, na próxima semana, sobre políticas educativas

A pouco mais de uma semana de terminar o ano letivo, o CDS quer obrigar o governo a fazer um balanço sobre políticas educativas. A interpelação será feita no próximo dia 19, uma vez que que “esta é uma das áreas mais frágeis desta governação”, criticou Nuno Magalhães, acusando esta de ser "uma governação fortemente ideológica, que tem feito do confronto politico aquilo que devia ser uma área de consenso e estabilidade”. O líder da bancada centrista adiantou que o seu partido vai apresentar um conjunto de propostas concretas ao mesmo tempo que irá confrontar o governo com um balanço de um ano letivo que consideram “desanimador do ponto de vista da turbulência que viveu”.

A deputada centrista Ana Rita Bessa acentuou estarmos "a chegar ao final de um ano letivo que não teve nenhum ganho objetivo”, mas em que houve muita “instabilidade e imprevisibilidade por falta de dialogo em tempo útil com todos os atores relevantes na educação, designadamente as famílias”.

A interpretação pretende abranger vários tópicos da ação governativa, como o novo sistema e avaliação anunciado "que acaba por deixar de fora 43% das escolas que não tem nenhum feedback do desempenho dos seus alunos; a não valorização da liberdade de educação que tem neste momento o expoente máximo no caso dos contratos de associação; o anuncio da escola a tempo inteiro, que ainda não sabemos do que vai constar; o risco de virmos a ter turmas maiores que integram alunos com necessidades educativas especiais”, entre outros, avisou Ana Rita Bessa.

Estabilidade, qualidade, talento e oportunidade

A responsável pelo gabinete de estudos do CDS para o sistema educativo, Mariana Gouveia, adiantou que o gabinete pretende apresentar "um conjunto de propostas que permitam um largo consenso entre todos os partidos políticos”. Tais medidas têm quatro linhas trabalho: estabilidade, qualidade, talento e oportunidade.

“Portugal não se pode dar ao luxo de perder nenhum talento na escola, não pode deixar que nenhuma criança desista de perseguir o seu, que e o nosso, futuro”, afirmou.

O CDS considera "essencial preparar a próxima década e meia, em que haverá uma reforma massiva de professores”, sublinhou, preconizando que é preciso fazer uma “transição tranquila e bem pensada”.

Sobre o tema quente da semana, os contratos associação que financiam colégios privados, Ana Rita Bessa, começou por sublinhar que os contratos assinados na ultima legislatura "tinham por base um estudo de rede que determinaram o numero de turmas que cada daquelas escolas poderia abrir” e que o CDS o que pretende é que esses mesmos contratos sejam cumpridos, “sem prejuízo de que no seu termo seja reavaliada a rede e sejam identificados os casos em que não faz sentido haver esse excesso de capacidade”.

De qualquer das formas quis ainda “desmistificar a ideia de que existe uma duplicação de custos”, porque se um aluno integra uma escola com contrato associação “é aí que o seu custo é imputado e não à escola publica”. Por outro lado, salientou que o estatuto do ensino particular e cooperativo "prevê que essas escolas deixem de ter apenas um caracter supletivo em relação à rede publica, mas introduzem também o fator de escolha pelos pais” e que "é nesse contexto que os contratos foram assinados por mais dois anos".

Sobre a garantia que o Governo já deu de que os contratos serão cumpridos e os alunos terminarão os ciclos, Nuno Magalhães concluiu: “Veremos”.