Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

De geringonça a “farinha do mesmo saco”

  • 333

HOMEM DE GOUVEIA/ Lusa

Governo e esquerdas radicais “estão bem unidos e nos momentos centrais votam todos juntos”. Na análise aos primeiros seis meses do executivo de António Costa, Assunção Cristas deixou cair a classificação de “geringonça”, já que, segundo diz, as esquerdas são, na verdade, “farinha do mesmo saco”

Marta Caires

Jornalista

“Farinha do mesmo saco” foi a expressão que Assunção Cristas mais usou para definir o Governo e os partidos que o suportam na Assembleia da República. Nos dois dias de visita à Madeira, a expressão foi repetida no jantar de militantes, enquanto passava pelas bancas de fruta e do peixe do Mercado dos Lavradores e à saída de um centro comunitário. Em seis meses de executivo de António Costa, o CDS deixou de lado a “geringonça” e admite que “estão todos bem unidos”, que o Governo até pode durar mesmo quatro anos.

“Estão bem unidos, nos momentos centrais votam todos juntos.” A presidente dos centristas deu como exemplo a união em torno do Pacto de Estabilidade, em que PS, BE e PCP mostraram que, afinal, pensam do mesmo modo. Na verdade, Assunção repetiu sempre que, na verdade, tanto os socialistas como as esquerdas radicais são “farinha do mesmo saco” e estão junto no Pacto de Estabilidade, na visão que têm sobre o financiamento público ao ensino particular e cooperativo e até no chumbo ao pacote legislativo do CDS para inverter a baixa de natalidade em Portugal.

Uma união que, no entanto, não assusta a líder do partido. A luta, disse, irá demorar o tempo que for preciso. Sejam meses ou anos, Assunção Cristas fez, durante a visita à Madeira, várias críticas, entre as quais a incapacidade do Governo para encontrar uma solução para greve no porto de Lisboa. “Este Governo, assim que entrou em funções, ficou muito satisfeito por ser resolvido o problema da greve do porto de Lisboa. Vimos uns meses depois que o problema não ficou resolvido, que não está resolvido e a greve continua.”

Greve no porto de Lisboa afeta exportações

A greve no porto de Lisboa está, segundo a presidente do CDS, a afetar as exportações portuguesas. “Quando olhamos para os números que saíram hoje mesmo sobre a baixa das exportações portuguesas, certamente que uma boa parte tem que ver com a dificuldade em escoar os produtos através do porto de Lisboa.” O assunto é sério, já que a economia portuguesa, para crescer, precisa de exportar, mas o problema, lembrou, é também de abastecimento de algumas indústrias - como a da produção de rações animais e da panificação.

Além disso, a greve afeta também a Madeira, já que, segundo sublinhou, os serviços mínimos impostos para as duas regiões autónomas não estão a ser cumpridos, o que é mau para a coesão nacional. “É assunto muito sério. É preciso que o Governo explique a razão do incumprimento dos serviços mínimos, qual é avaliação que fazem sobre o cumprimento ou incumprimento desses serviços e como é que se pode ultrapassar essa situação.”