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Bloco espera outros seis meses de geringonça com “mais conquistas”

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NUNO VEIGA / LUSA

No encerramento das jornadas parlamentares, o Bloco fez o balanço do primeiro semestre da atual solução de Governo: "Só podemos esperar" que os próximos seis meses "sejam de mais conquistas", afirmou o líder da bancada, Pedro Filipe Soares

O Bloco de Esquerda, que fez coincidir as suas jornadas parlamentares com os seis meses do acordo entre os partidos de esquerda, apresenta uma avaliação positiva do trabalho da atual maioria parlamentar e faz votos para que o balanço se mantenha: "Só podemos esperar" que os próximos seis meses "sejam de mais conquistas", afirmou Pedro Filipe Soares, o líder da bancada do Bloco, cujos deputados estiveram entre segunda-feira e hoje de visita ao Alentejo.

A avaliação dos primeiros tempos da "batizada geringonça" (como Soares lhe chamou, com boa disposição) já fora feito na noite de segunda-feira, pela porta-voz do Bloco, Catarina Martins, no jantar comício realizado em Évora. Mas só no encerramento dos trabalhos (depois de Pedro Filipe Soares ter mencionado as oito iniciativas legislativas em que os deputasdos bloquistas participaram e que já são neste momento lei) é o que o BE passou da retrospetiva à antevisão dos trabalhos que a atual maioria parlamentar tem pela frente.

O Bloco de Esquerda realizou pela primeira vez umas suas jornadas parlamentares no Alentejo, com o objetivo promover a valorização do território, combater as desigualdades e proteger o ambiente. Na segunda-feira, em vários grupos, os deputados visitaram locais dos três distritos alentejanos (Portalegre, Beja e Évora). Nesta terça-feira de manhã, estiveram reunidos à porta fechada, após o que apresentaram as conclusões dos trabalhos.

Glifosato proibido em zonas urbanas

É na proteção do ambiente que se situa a mais recente iniciativa do BE, divulgada aos jornalistas no encerramento das jornadas parlamentares, ao início da tarde, no Teatro Garcia de Resende.

Semanas depois de o Parlamento ter chumbado uma recomendação do BE ao Governo para proibir o uso do glifosato (um herbicida "comprovadamente cancerígeno em animais e provavelmente cancerígeno em humanos", segundo os bloquistas), o partido voltará à carga com o tema, no dia 18 de maio, num agendamento potestativo.

Agora não sob a forma de um projeto de resolução, mas de um projeto-lei, com um âmbito de aplicação mais restrito, e cuja aprovação o BE diz já ter negociado com o PS e o Governo, garantindo assim luz verde ao projeto. "Conseguimos fazer um caminho que garante a aprovação da proposta", disse Pedro Filipe Soares.

Há semanas, o PS absteve-se, assim como o PCP, tendo o projeto do Bloco recebido votos favoráveis dos Verdes e do PAN, e o voto contra da direita. Com um voto favorável do PS, a iniciativa do Bloco segue em frente.

Em vez da interdição do glifosato em todo o território, incluindo as zonas rurais, onde ele é utilizado por muitos agricultores (termos da iniciativa anterior), o Bloco propõe agora a proibição do herbicida "em zonas urbanas e de lazer, e vias de comunicação".

Ao mesmo tempo, o Governo fará um estudo, no prazo de um ano, para avaliar os efeitos do glifosato na saúde dos humanos. Nas declarações aos jornalistas, o líder parlamentar do Bloco disse que o cancro nos humanos que é associado ao glifosato regista 1700 novos casos por ano em Portugal.