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Catarina Martins: “Estamos aqui para esticar a corda que mantém a maioria”

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Mário Cruz/ Lusa

Nas jornadas parlamentares, a porta voz do BE fez um balanço dos seis meses da geringonça. “Não cedemos” ou “o Bloco não cede” foi uma espécie de mote da intervenção. “Nenhum caminho é fácil, nenhum caminho está garantido. Cá estamos para esticar a corda que mantém uma maioria que recupera rendimentos”

No jantar com militantes que fechou o primeiro dia das jornadas parlamentares do BE, a decorrer no Alentejo, Catarina Martins fez “um balanço dos seis meses da geringonça”, que se cumprem no dia 10, terça-feira.

A “recuperação de rendimentos” foi o primeiro objetivo e esse “caminho” vai ser prosseguido, garantiu a porta-voz do BE, que falava num restaurante de Évora, ante mais de uma centena de pessoas, entre militantes e o grupo parlamentar do BE.

Na intervenção, Catarina Martins nunca mencionou o nome de qualquer dos partidos que possibilitam a atual solução de Governo, preferindo sempre referir-se à “maioria”. E o compromisso do BE com ela é absoluto: “O Bloco não cede, não desiste da maioria e da recuperação de rendimentos”.

A par da determinação em prosseguir o entendimento à esquerda, Catarina Martins alertou também para as dificuldades à beira da estrada. “Nenhum caminho é fácil, nenhum caminho está garantido. Cá estamos para esticar a corda que mantém uma maioria que recupera rendimentos”.

Ataques à direita

No balanço do primeiro semestre da vida da geringonça (“uma máquina complexa com muitos parafuosos e que funciona, e vai funcionar”, disse Catarina, numa definição encontrada após consulta ao dicionário), a líder do Bloco fez um elenco de conquistas conseguidas nos últimos meses. “Se o Bloco não tivesse sido exigente, a maioria parlamentar não teria existido”, disse. “E a nossa exigência é o cimento da recuperação dos rendimentos”, acrescentou.

Na mira da líder do Bloco esteve a direita. “Não há dia nenhum em que a direita não fale de uma catástrofe. A direita tem estado agarrada à ideia de bancarrota, porque sem bancarrota a direita não existe”, afirmou.

Para ilustrar os falsos alarmes sobre o fracasso da atual maioria, Catarina Martins usou uma imagem muito crepitante: "Ninguém salta da janela se a casa não está a arder. E a casa não está a arder", referindo-se ao estado da "geringonça".

Por outro lado, deixando sempre claro que a vida da maioria é e será tudo menos desafogada e despreocupada, a líder do BE alertou que “as próximas semanas serão de redobradas pressões” sobre Portugal, devido às eleições em Espanha. A direita europeia quererá combater o êxito da solução portuguesa, pretendendo evitar que ela contamine o outro país ibérico.

“Se em Portugal há quem não cede, em Espanha há quem construa a esperança”, disse Catarina, mencionando de seguida o acordo anunciado nesta segunda-feira entre o Podemos e a Esquerda Unida, com vista às próximas legislativas do final de junho.

Mas entre pressões internas e a própria dinâmica interna, na prospetiva do Bloco para os próximos tempos da geringonça parece parece poder aplicar-se o balanço dos primeiros seis meses: “Nenhum caminho é fácil, nenhum caminho está garantido”. E as cordas esticadas querem-se certamente de boa qualidade.

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