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BE quer água de Alqueva mais barata e para mais terrenos

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David Clifford

Os bloquistas, que realizam no Alentejo as suas jornadas parlamentares, pedem ao Governo que alargue a rede de irrigação da barragem de Alqueva e que baixe o preço da água. Segundo a empresa pública que gere o Alqueva, a descida pode ser de 20% a 25%

O Bloco de Esquerda visitou na tarde desta segunda-feira a barragem de Alqueva, no âmbito das suas jornadas parlamentares que decorrem no Alentejo, e no final anunciou que pediu ao Governo um alargamento da rede de irrigação daquela infraestrutura. Ao mesmo tempo, o BE solicita uma descida do preço da água e uma reconversão energética das estações elevatórias, através do recurso a painéis solares.

O projeto de resolução dos bloquistas foi apresentado pelo seu líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, junto ao reservatório da Atalaia, perto de Moura, uma das muitas infraestruturas que fazem parte do plano de rega do Alqueva (duas dezenas de barragens e 69 planos de água, unidos por dois mil quilómetros de condutas enterradas).

A comitiva do BE, de que fez também parte o deputado Pedro Soares, esteve durante a visita (iniciada junto à barragem) acompanhado por José Pedro Salema, o presidente da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva).

Minutos antes de ter rev elado aos jornalistas a sua proposta, Pedro Filipe Soares ouviu da boca do presidente da empresa pública uma boa notícia. A EDIA fez um “estudo sobre sustentabilidade tarifária”, atualmente nas mãos do Governo, que permitirá “baixar estruturalmente o preço da água” (isto é, para sempre), “entre 20% e 25%”, desde que estejam reunidas algumas condições.

Uma delas é, aliás, defendida pelo Bloco: o alargamento da zona hoje abastecida pelo Alqueva, que é de 120 mil hectares. Se a rede de irrigação aumentar para 170 mil hectares, conjugando esta medida com uma maior eficiência energética (através da aposta em painéis solares), então conseguem obter-se “economias de escala”. E a descida dos “custos fixos” permitirá reduzir o preço da água.

Do presidente da EDIA, os deputados do Bloco ouviram números que são uma tradução da mudança que entra pelos olhos dentro em muitos pontos do Alentejo. Onde antes eram culturas de sequeiro (trigo e outros cereais) a perder de vista, hoje é o verde (permanente, no caso do olival; ou ainda mais intenso, quando as hortícolas estão plantadas). O Alentejo é cada vez mais uma terra de amêndoa e de melão, e vem aí a cebola.

“O regadio multiplicou a riqueza por sete”, disse José Pedro Salema, acrescentando ainda que há clientes da EDIA em que esse fator foi de “dez e até de 20”. No Alentejo, sublinhou Salema, “o potencial produtivo é enorme se houver água”.

É esta riqueza líquida que o BE quer ver correr em mais terras, e em benefício de mais gente. “É essencial que a bacia (de Alqueva) esteja ao serviço do maior número de agricultores de área, rentabilizando o investimento realizado e garantindo que uma vasta área tenho acesso à água”.

Além de pretender “tornar o regadio mais compatível com a pequena produção”, o Bloco quer também, segundo se lê no projeto de resolução, “defender a diversificação cultural agrícola”.

O problema é que este desejo esbarra já na realidade dos campos alentejanos servidos pela água de Alqueva, em que o olival ocupa já 52% da área.

Pedro Soares, o deputado do BE que é geógrafo e que no seu partido se ocupa das questões da agricultura, fala já da “monocultura do azeite”. Pedro Soares, o deputado do BE que é geógrafo e que no seu partido se ocupa das questões da agricultura, fala já da “monocultura do azeite”.

O primeiro dia das jornadas parlamentares do BE, que têm como tema a valorização do território, a proteção do ambiente e o combate às desigualdades, termina na noite desta segunda-feira em Évora, com um jantar distrital.

Além de dirigentes locais, as intervenções políticas serão asseguradas por Mariana Mortágua e Catarina Martins.