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António Costa pouco efusivo com o amigo Sócrates

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José Sócrates esteve na inauguração do Túnel do Marão

LUCILIA MONTEIRO

António Costa limitou-se a apertar a mão ao antigo chefe do Governo, depois de ter poupado nos louvores ao 'pai' do túnel do Marão no início do discurso de abertura da A4

Isabel Paulo

Isabel Paulo

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

Um ano e meio depois de ter visitado o antigo Primeiro Ministro no Estabelecimento Prisional de Évora a título pessoal, António Costa não se alongou em cortesias para com José Sócrates, convidado pelo Governo para assistir à inauguração da obra lançada pelo ex-chefe do Governo socialista em 2008.

“Na pessoa do engenheiro José Sócrates, cumprimento todos aqueles que nos sucessivos governos contribuiram para que a maior obra desde a Ponte 25 de Abril tenha sido concluída”, afirmou António Costa a abrir o discurso que fechou na tarde deste sábado a cerimónia de inauguração do maior túnel da Península Ibérica.

No interior do ventre da rochosa Serra do Marão, o primeiro-ministro considerou ser um dia histórico para o país, defendendo que a nova infraestruturanão servirá para o Terreiro do Paço estender o seu longo braço até à região transmontana. “O túnel é um impulso à descentralização, o princípio de uma nova visão estratégica para a região, referiu.

Num discurso marcado por promessas, António Costa evocou Miguel Torga, autor da célebre máxima segunda a qual para lá do Marão mandam os que lá estão: “As regiões interiores não são as traseiras do litoral e esta zona raiana em de ser o centro avançado do país para o mercado ibérico e global”, advertiu, ao lembrar que para lá do Marão estão 50 milhões de habitantes. Num dia em que se derrubou a inexpugnável “barreira física e psicológica” do Marão, o líder do Governo comprometeu-se a devolver às regiões poder de decisão sobre o seu futuro desenvolvimento e encurtar assimetrias económicas.

“Não queremos que o PIB de Trás-os-Montes seja 60% do grande Porto, que está por sua vez abaixo da média europeia”, concluiu, no final da cerimónia da infraestrutura por onde se estima que circularão mais de oito mil veículos por dia, quase oito anos depois se apresentar como alternativa mais rápida e segura ao perigoso IP4, considerado um “desperdício de vidas e de dinheiro” pelo presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos.

Sócrates, o rei da festa

Sorridente, o ex-primeiro-ministro acabou por quase eclipsar António Costa, o líder do Governo a quem coube ficar com os louros do famigerado túnel parado durante três anos por falta de financiamento. Numa crítica a Pedro Passos Coelho, Sócrates lamentou que o Estado tenha desistido de investir no país “por um profundo preconceito ideológico, tendo de ser agora o Banco central Europeu e o FMI a recordar que é preciso investimento público para gerar emprego e dinamismo económico”.

Afastado dos palcos políticos e mediáticos desde que foi constituído arguido no âmbito da Operação Marquês, Sócrates não hesitou em responder à questão sobre se hoje ficou com vontade de voltar à política ativa: “Sou eu próprio que decido quando saio da política, não os outros”.

O sinal de que Sócrates ainda anda por aí foram os fortes aplausos que recebeu durante esta tarde e os calorosos agradecimentos de autarcas como Rui Santos, presidente da Câmara de Vila Real, por ter tido a ousadia de lançar a obra aguardada pelas gentes de Trás-os-Montes há 20 anos