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Acordo Ortográfico gera tensão entre Marcelo e PS

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JOSÉ CARLOS CARVALHO

Edite Estrela, deputada e antiga professora de Literatura Portuguesa, em declarações ao Expresso, assumiu a crítica, lembrando que Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico devido a “razões financeiras”

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

As declarações do Presidente da República admitindo reabrir o debate sobre o Acordo Ortográfico (AO) causaram perplexidade entre os socialistas, para mais tratando-se de um tratado internacional. A deputada e antiga professora de Literatura Portuguesa, Edite Estrela, assumiu, em declarações ao Expresso, a crítica.

Edite Estrela sublinha que Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico não por razões científicas mas devido a "razões financeiras". O AO obriga a mudar manuais escolares, adaptar os documentos oficiais e, segundo a ex-eurodeputada, os governos destes dois países nunca consideraram a nova grafia "uma prioridade". Por outro lado, lembra que as crianças que "frequentam hoje o 2º ciclo de escolaridade nunca escreveram de outra maneira" (apenas conhecem o português do novo Acordo Ortográfico).

"Ouvi com surpresa as declarações do sr. Presidente da República. Há funções onde não é possível fazer a separação entre o detentor do cargo e a condição de cidadão", afirma acerca do facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter adotado na Presidência o novo Acordo Ortográfico embora pessoalmente tenha dúvidas e alimente a corrente que ainda existe anti-AO.

O Acordo Ortográfico é um tratado internacional assinado em 1990 e que depois foi ratificado pelo Brasil, Portugal ou Cabo Verde. É usado em Portugal desde 1 de janeiro de 2012.

Antes de partir para Moçambique, país que ainda não ratificou o AO, Marcelo Rebelo de Sousa fez saber que estava disponível para reabrir o debate sobre este tema polémico, aproveitando o facto de haver países da CPLP que ainda não tinham aderido às novas normas. Já em Maputo Marcelo Rebelo de Sousa admitiu: "Nós estamos à espera que Moçambique decida sim ou não ao Acordo Ortográfico. Se decidir que não, mais Angola, é uma oportunidade para repensar essa matéria".

Questionado pelo Expresso se tinha sido apanhado de surpresa pelas declarações do Presidente, o ministro dos Negócios Estrangeiros recusou responder.