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Marcelo. Preocupações sociais “não são opções políticas, mas escolhas humanistas”

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JOÃO RELVAS/LUSA

Em Maputo, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu a necessidade de estar “ao serviço dos mais pobres, dos mais dependentes e dos mais injustiçados”, após ter recebido a chave da cidade moçambicana, numa cerimónia realizada no salão nobre do conselho municipal

O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta sexta-feira em Maputo que as preocupações sociais e a dedicação à causa pública não constituem opções políticas, mas escolhas humanistas de serviço aos mais injustiçados.

"Quem serve a causa pública não serve por razões individuais ou particularistas, serve por razões comunitárias. Está-se ao serviço dos outros, ao serviço dos mais pobres, dos mais dependentes, dos mais injustiçados", afirmou o chefe de Estado, após ter recebido a chave da cidade de Maputo, numa cerimónia realizada no salão nobre do conselho municipal da capital.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "isso não tem a ver com opções políticas, tem a ver com uma opção humanista de respeito pela pessoa humana" e não com conceitos abstratos, "mas pela pessoa humana de carne e osso, concreta e com problemas concretos que é preciso resolver".

Falando na presença do Conselho Municipal de Maputo, David Simango, o Presidente português recordou os tempos vividos na sua juventude na cidade, quando o pai era governador da então província ultramarina de Moçambique, entre 1968 e 1970.

"Mesmo no quadro de um regime que era ultrapassado pelo tempo e que viria a cair poucos anos volvidos, de facto um traço dos meus pais teve a ver com a preocupação social - do meu pai e em particular da minha mãe", frisou o chefe de Estado, acrescentando que "hoje a exigência social é ainda maior".

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou igualmente o seu passado como autarca, dando os exemplos do município de Lisboa, apontado como "o mais poderoso", e de Celorico de Basto, como "o mais pobre" naquele período, defendendo que o exercício do poder local é "a forma mais fascinante de fazer política", pelo contacto permanente com "pessoas concretas e problemas específicos".

O Presidente português recorreu à situação de Moçambique para regressar ao tema dos consensos, quando o país onde termina hoje uma visita de Estado de quatro dias atravessa um período de instabilidade política, acompanhada de um arrefecimento económico e uma escalada da dívida pública, motivada pela revelação de avultados empréstimos que foram ocultados.

"Em Moçambique há um consenso crescente quanto à importância da estabilização política, que permite a estabilização económica, financeira e social", disse Marcelo Rebelo de Sousa, destacando "a necessidade da conquista definitiva da paz", mas também da "afirmação da transparência económica e financeira" e da recuperação dos indicadores da economia.

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