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Marcelo recebe a chave da cidade de Maputo

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JOÂO RELVAS/LUSA

O Presidente português falou da “amizade fraterna” entre Portugal e Moçambique, que tornou possível uma “conjugação histórica de acontecimentos”: Há 48 anos, a chave foi entregue a seu pai, governador de Moçambique no período colonial

O Presidente português recebeu esta sexta-feira a chave da cidade de Maputo, 48 anos depois do seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, governador de Moçambique no período colonial, afirmando que aquilo que une Portugal e Moçambique "ultrapassa regimes".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, muitos que veem de fora não compreendem "a amizade fraterna" entre Portugal e Moçambique, mas ela "é o retrato daquilo que existe entre os dois países e que ultrapassa regimes, tipos de estado e as situações mais diversas, políticas, económicas e sociais".

Para o chefe de Estado português, foi essa "relação afetiva inultrapassável e irresistível" que tornou possível uma "conjugação histórica de acontecimentos", referindo-se à circunstância de receber a chave da cidade quase meio século após o seu pai, no mesmo salão nobre do atual Conselho Municipal de Maputo.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que naquela cerimónia era apenas um estudante universitário, mas já "com Moçambique no coração", sentado numa das últimas filas daquele salão, longe de imaginar que estaria ali a receber a chave da cidade e ocupar a cadeira que, segundo imagens de arquivo mencionadas pelo autarca de Maputo, era igual àquela em que o pai se sentou a 23 de julho de 1968.

Reiterando "a sensação de regressar a casa, o chefe de Estado assinalou que "essa atração tem crescido no tempo", mas o que era meramente pessoal é agora também institucional, desde que se tornou Presidente da República.

"Comigo, Moçambique está em Belém, porque acompanho no dia a dia as alegrias moçambicanas e as preocupações. Acompanho como acompanho aquilo que se vive na minha família", declarou.

Cerimónia com "significado especial"

Numa cerimónia testemunhada pelo ministro da Educação moçambicano, Jorge Ferrão, e pela governadora da Cidade de Maputo, Iolanda Cintura, o presidente do município da capital atribuiu "um significado especial" a este acontecimento, quando discursou após a entrega da chave da cidade e da banda que a acompanha.

Esse significado vem do tempo em que os pais de Marcelo Rebelo de Sousa, "com excecional dedicação, impulsionaram a afirmação de valores como a justiça e a solidariedade para com os mais desfavorecidos", segundo David Simango.

"Tendo vivido parte da sua juventude nesta cidade das acácias, passa a integrar e a fazer parte da nossa família e comunidade. Passa a partilhar os problemas e ansiedades de todos nós", considerou o autarca, que manifestou orgulho por Maputo ter sido a primeira capital africana visitada pelo Presidente português.

Mas quem recebe a chave da cidade passa a ser munícipe, e "cumpre os deveres da cidadania maputense, pagando os impostos e taxas devidas", disse Simango, numa passagem mais descontraída do seu discurso, dirigindo-se ao chefe de Estado.

"Portanto, essa faixa tem um preço", sublinhou o autarca, arrancando risos à assistência e ao homenageado.

Em resposta, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que esse é "o custo mais barato" que teve na vida e que pagará com gosto.

"Terei de andar com o meu número de contribuinte moçambicano no bolso para ter a certeza de que este município não fica privado dos meus impostos por lapso ou distração", afirmou o Presidente português, que disse ainda ter saído desta cerimónia "mais rico" do que quando entrou.