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Marcelo: “Sou um otimista realista, gosto de irradiar felicidade”

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João Relvas/ Lusa

Presidente não se inibe de mandar recados para Portugal durante visita a Moçambique

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Em Maputo

Jornalista da secção Política

Marcelo Rebelo de Sousa não se tem feito rogado nesta sua primeira visita de Estado. Apesar de estar em Moçambique, tem pontuado a viagem com recados para Portugal, sobretudo em momentos mais descontraídos, quase sempre a desconversar com os jornalistas, com muito sentido de humor à mistura. Mas esta sexta-feira fê-lo num discurso, com palanque e microfone, sem se rir. Para voltar a dar uma bicada a Pedro Passos Coelho e para defender, mais uma vez, a legitimidade da atual solução governaria, apesar da sua estranheza.

Antes, contexto: Marcelo falava num encontro com alguns dos 23 mil portugueses que vivem em Moçambique, nas últimas horas da sua visita ao país. Antes do jantar final com o presidente Filipe Nyusi, no mítico Hotel Polana, Marcelo conviveu com a comunidade portuguesa - fez um primeiro balanço da viagem e falou do que se passa em Portugal. E foi nesse momento que surgiu a "geringonça" e a bicada ao ex-primeiro-ministro.

O chefe do Estado admitiu que a saída da crise não está a ser fácil, nem nunca seria, e voltou a defender a necessidade de consensos, embora admitindo que "como é natural em democracia há diversidade quanto às formas de governar o país".

Porém, voltou a defender a solução de governo engendrada por António Costa. "O facto de se ensaiar novos modelos de governação é uma experiência inédita, mas não quer dizer que não caiba no funcionamento normal com as virtualidades próprias da democracia."

Consensos que brotam da realidade

Quanto aos consensos, mesmo que alguns não os desejem (indireta número 1 para Pedro Passos Coelho), "eles brotam da realidade das coisas, são impostos ou decorrem da realidade das coisas."

Entre outros consensos que, segundo Marcelo, se impuseram por aí, nomeou o "esforço para manter o rigor financeiro" e ao "mesmo tempo olhar para a compensação, ao menos parcial, para os sacrifícios dos últimos anos".
Outro consenso que brotou da realidade: "o consenso de que a inconsciência em matéria financeira tem um preço muito elevado".

Sim, irradio felicidade

Pesando os pros e contras da situação do pais e do momento que a União Europeia atravessa, Marcelo chegou à conclusão de que é "um otimista realista".

"Não sou daqueles otimistas irritantes que negam a realidade pela força do seu otimismo. Mas também não sou daqueles realistas céticos que não gostam se irradiar felicidade." Na semana passada, em entrevista ao Sol, Passos dizia que "há uma certa imagem de felicidade que irradia do Presidente". Marcelo já tinha acusado o toque, mas voltou ao assunto: "eu gosto de irradiar felicidade, embora me irrite o otimismo que é desproporcionado em relação aos termos da realidade. É neste meio termo que penso que está o equilíbrio tradicional dos portugueses."