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Política

Renamo desafia Marcelo a assumir papel de mediador na paz em Moçambique

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Rui Ochoa/Presidência da República

Líder parlamentar do maior partido da oposição diz que o Presidente português “não precisa de convite para ajudar a sair desta crise”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

em Maputo

Jornalista da secção Política

Ivone Soares, líder da bancada parlamentar da Renamo, desafiou esta quinta-feira Marcelo Rebelo de Sousa a assumir um papel de relevo nas conversações entre o governo de Moçambique e o maior partido da oposição, que contesta o resultado das últimas eleições gerais e está em conflito armado com as Forças de Defesa e Segurança.

"Quando um parente está a passar por uma mazela, não precisamos de convite para ir ajudar. O Presidente de Portugal é esse parente, esse amigo de Moçambique e dos moçambicanos que tem as portas abertas aqui", afirmou a dirigente oposicionista em declarações aos jornalistas na Assembleia da República de Moçambique.

"Sabendo das dificuldades decorrentes da nossa não aceitação dos resultados forjados das últimas eleições, é de todo o interesse que Portugal, os portugueses e em particular o Presidente da República, possam ajudar os moçambicanos a encontrar um meio termo para se sair desta situação", reiterou Ivone Soares, em declarações aos jornalistas que acompanhavam a visita de Rebelo de Sousa ao Parlamento moçambicano, onde foi recebido pela segunda figura do Estado.

O conflito entre o Governo e a Renamo, que já degenerou em confrontos armados em várias províncias do centro do país, tem sido um dos temas centrais da visita do PR a Moçambique. Marcelo já manifestou disponibilidade para assumir um papel, mas apenas se esse pedido for feito pelas partes.

Ivone Soares, que se vai encontrar com o PR português num encontro que não faz parte da agenda oficial da viagem, contesta esse pressuposto. Do ponto de vista da líder parlamentar da Renamo, Moçambique está mesmo em guerra e Marcelo não pode ficar "à espera de um convite para ajudar os moçambicanos".