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Ferreira Leite não prevê um “bom futuro” para o ministro da Educação

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Alberto Frias

A antiga ministra da Educação considerou que as mudanças impostas por Tiago Brandão Rodrigues no sistema de ensino “colocam tudo em causa” sem fazer “nenhuma análise”

Manuela Ferreira Leite teceu críticas a Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação. No habitual espaço de comentário na TVI24, a antiga ministra considerou que é uma “insensatez” colocar 25% do currículo nas mãos das escolas e fazer alterações sem ter como base “nenhuma análise”.

“No mínimo, e para ser simpática, considero uma insensatez. Vai pôr tudo em causa. A ideia de haver alguma flexibilidade nos currículos não é nova, já existe em muitas escolas, sendo que se considerou que a base seria o português e a matemática”, disse Ferreira Leite. “O ministro da Educação não pode, ou não deve, dizer que o português e a matemática não servem para nada”, acrescentou.

A ex-ministra da Educação defendeu que esta decisão de Brandão Rodrigues pode levar os professores e alunos a pensarem: “O que andamos aqui a fazer, se afinal isto não serve para nada?”

“Quando se diz que quem está num meio rural deve ter matérias relacionadas com o meio rural, ou que vive no litoral deve ser conduzido para essa áreas... Parece-me algo absolutamente delirante, quer pela dimensão do nosso país, quer pela ideia que hoje se tem da mobilidade”, afirmou Ferreira Leite.

E concluí: “Não lhe auguro bom futuro. O ministro já estava com poucos problemas no sistema educativo....”.

Questionada sobre o pacote de medidas de natalidade, que esta quinta-feira esteve em debate no Parlamento, Manuela Ferreira Leite não tem dúvidas que estas “não são para resolver o problema”.

“Ninguém toma a decisão de ter ou não filhos por ter mais dois meses em casa de licença. As medidas propostas não são para resolver o problema da natalidade, são medidas de apoior”, referiu Ferreira Leite, sublinhando ainda que isto “não é política de natalidade”.

Para a antiga ministra das Finanças é prioritário fixar os jovens em Portugal, encontrando condições e estabilidade para não emigrarem. “Não estão à espera de aplicar as medidas a uma população envelhecida”, disse.

Quem é que nos representa?

Sobre o novo acordo do comércio, que está a ser negociado desde 2013 entre a União Europeia e os Estados Unidos da América, Manuela Ferreira Leite lamentou o secretismo em que as conversações estão envoltas, considerando-o “antidemocrático”.

“Se é uma coisa tão boa para a Europa, porque que é uma Europa, que tem tantas más noticias para dar, não dá esta que é boa? Claro que sabem que há consequências”, disse, defendendo que os Estados Unidos da América vão sair beneficiados do acordo.

Manuela Ferreira Leite deixou ainda uma questão: “Quem de Portugal anda nestas negociações? Era bom saber. Já nem digo saber o conteúdo [do acordo], pelo menos uma cara para nos defender”.