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Faltam meios na Marinha, disse Marcelo. É evidente, responde Azeredo Lopes

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Azeredo Lopes, ministro da Defesa, acompanhado pelo almirante Macieira Fragoso, chefe do Estado-Maior da Armada, junto ao Tejo, a última aquisição da Marinha

STEVEN GOVERNO / LUSA

Há 15 dias, o Presidente da República visitou a Marinha e alertou para a falta de meios. O ministro da Defesa disse esta quinta-feira que é uma evidência e que o governo tudo fará para “à luz das circunstâncias atuais, pelo menos, não se introduzam novos constrangimentos no caminho da modernização das Forças Armadas”

Carlos Abreu

Jornalista

Quando há precisamente 15 dias o comandante supremo das Forças Armadas, no final da sua primeira visita à Armada, disse aos jornalistas que “os meios de que dispõe a Marinha ainda são insuficientes para as missões que tem a cargo”, estava, afinal, a dizer uma “evidência”. Foi pelo menos assim que o ministro da Defesa classificou esta quinta-feira a palavras de Marcelo Rebelo de Sousa que nesse dia 20 de abril já não ouviu, porque já tinha uma reunião marcada com o primeiro-ministro.

“O senhor Presidente da República não precisa que eu confirme o que quer que seja neste domínio, mesmo porque se trata de uma evidência que é facilmente comprovável pelo mapeamento das suas necessidades”, disse Azeredo Lopes aos jornalistas a bordo da última aquisição da Marinha, o primeiro de quatro navios de patrulha costeira comprados em segunda mão à Dinamarca e que estão a ser preparados para se fazerem ao mar português no Arsenal do Alfeite.

O protocolo de aquisição destes quatro navios, de 54 metros de comprimento por nove de largura e quase 500 toneladas, foi assinado em outubro de 2014 pelo então ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco (Governo PSD/CDS), que na altura disse que Portugal iria pagar à Dinamarca quatro milhões de euros e ao Arsenal do Alfeite 24 milhões. Valores confirmados esta tarde por Azeredo Lopes.

Entregue o NRP “Tejo”, a Marinha deverá receber mais um patrulha costeiro no segundo semestre deste ano e os dois restantes no segundo semestre de 2017. Um planeamento que Azeredo Lopes espera que seja respeitado. “O financiamento está garantido”, disse o ministro da Defesa.

O ministro da Defesa acompanhado pelo chefe do Estado-Maior da Armada na ponte do NRP Tejo

O ministro da Defesa acompanhado pelo chefe do Estado-Maior da Armada na ponte do NRP Tejo

STEVEN GOVERNO / Lusa

Se os programas de construção de navios de patrulha oceânicos (NPO) e de lanchas de fiscalização costeira tivessem sido cumpridos, a Martinha jamais teria tido necessidade de ir comprar quatro navios da classe STANFLEX 300, da Real Marinha da Dinamarca, para substituir os quatro obsoletos navios da classe “Cacine” ao serviço da Armadas desde os anos 70 do século passado. Mas não foram, e dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) saíram apenas os NPO Viana do Castelo e o Figueira da Foz. Concluído o polémico processo de concessão destes estaleiros à West Sea (do grupo Martifer), o Governo PSD/CDS assinou um contrato para a construção de mais dois NPO.

Discursando na cerimónia da passagem ao estado de armamento do NRP Tejo, esta tarde na Base Naval de Lisboa (Alfeite), o chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) não esqueceu o passado recente: “Como é consabido, a não execução do programa de construções adjudicados, em tempo, aos então ENVC, que previa a construção de 8 NPO e 6 NPC até ao fim de 2012, dos quais apenas foram entregues dois NPO, o último no fim de 2013, criou um enorme problema à Marinha. Esta situação impossibilitou a indispensável renovação da capacidade de fiscalização, obrigando a que a missão seja hoje executada com meios cada vez mais escassos e envelhecidos.”

“Desta forma, o projeto de aquisição e adaptação às nossas necessidades das STANFLEX 300 foi, face às fortes restrições financeiras sobejamente conhecidas, a melhor solução encontrada para num curto prazo suprir lacunas na área da fiscalização costeira e para, simultaneamente, ganhar tempo, que temos que usar meticulosamente, no edificar do futuro”, acrescentou o Almirante Macieira Fragoso.

O NRP Tejo será apresentado aos portugueses durante as comemorações do Dia da Marinha, que este ano decorrem entre 14 e 22 de maio. Estes navios foram especialmente concebidos (e adaptados agora no Arsenal do Alfeite) para missões de fiscalização da pesca, busca e salvamento marítimo, combate ao narcotráfico e à imigração ilegal, apoiar populações em situações de catástrofe, sem esquecer, claro, o patrulhamento dos espaços marítimos e a presença naval em demonstrações de soberania nacional.

“É essencial garantir a ocupação efetiva dos espaços sob soberania e jurisdição nacional, evitando vazios que outros tenderão a preencher. Só assim poderá Portugal assegurar a concretização desse enorme potencial económico e impedir o desenvolvimento de ameaças à soberania e aos interesses legítimos portugueses”, afirmou ainda o almirante CEMA.

“A Marinha só poderá contribuir para o realizar desta aspiração se for capaz de materializar projetos que visem, no mínimo, a continuação das capacidades existentes”, disse ainda Macieira Fragoso.

Azeredo Lopes ouviu e respondeu aos jornalistas, com o chefe da Armada a seu lado, que o Governo, tal como tinha pedido Marcelo Rebelo de Sousa na primeira visita à Marinha, “fará todos os esforços à luz das circunstâncias atuais para que, pelo menos, não se introduzam novos constrangimentos no caminho da modernização das Forças Armadas”. Haja consensos.

Azeredo Lopes: "Uma coisa é assumirmos que há deficiências do ponto de vista do equipamento, outra coisa, embora complementar, é fazer todos os esforços à luz das circuntâncias atuais para que, pelo menos, não se introduzam novos constragimentos no caminho da modernização das Forças Armadas"

Azeredo Lopes: "Uma coisa é assumirmos que há deficiências do ponto de vista do equipamento, outra coisa, embora complementar, é fazer todos os esforços à luz das circuntâncias atuais para que, pelo menos, não se introduzam novos constragimentos no caminho da modernização das Forças Armadas"

STEVEN GOVERNO / Lusa

  • Presidente pede ao Governo que compre mais meios para a Marinha

    “Faltam meios para cumprir as muitas missões” e “espero que seja possível reforçar os meios disponíveis”, reconheceu Marcelo Rebelo de Sousa no final da sua primeira visita à Marinha. E visitou uma velha corveta que carece de substituição urgente. Longe das câmara e dos microfones