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“Perceberam ou é preciso fazer um desenho?”

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TIAGO PETINGA/Lusa

Vieira da Silva foi ao Parlamento falar sobre sustentabilidade da Segurança Social. Irritou-se quando PSD e CDS lhe pediram explicações sobre o montante a aplicar pelo Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social em reabilitação urbana: 1400 milhões ou 500 milhões de euros, eis a questão

O deputado do PSD que abriu a interpelação ao Governo sobre Segurança Social citou Shakespeare desde o princípio. Hamlet e a sua personagem Marcellus serviram para aplicar o “há algo de podre no reino da Dinamarca” ou o “ser ou não ser, eis a questão” à atualidade política nacional. Um salto na história para resolver um problema bem prosaico: como é que o primeiro-ministro e o Governo garantiram que seriam aplicados 1400 milhões de euros do Fundo de Estabilidade Financeira da Segurança Social (FEFSS) em reabilitação urbana e, no Plano Nacional de Reformas apenas estão inscritos 500 milhões.

Mas nem o clássico da literatura serviu para que o social-democrata conseguisse uma resposta direta do ministro. Vieira da Silva acusou a bancada do PSD de usar uma "mescla de demagogia e ignorância" para se referir ao tema e até de estar a tentar criar uma "espécie de novela" sobre o assunto.

Certo é que foi preciso mais de uma hora e meia de discussão parlamentar para que Vieira da Silva fosse direto ao assunto. O ministro garantiu que a explicação era “clara como água” e que constava “nas letras pequeninas do Plano Nacional de Reformas”. Na verdade, segundo a versão ministerial, o que está previsto é a criação de um fundo de reabilitação urbana, esse sim com um valor global de 1400 milhões de euros.

A participação do fundo da Segurança Social será apenas de uma parte do valor desse fundo de reabilitação, ou seja representa 500 milhões de euros de investimento dos cofres da Segurança Social. E por um período de dez anos. A explicação não é evidente, mas visivelmente irritado o ministro quis encerrar o assunto: “Perceberam ou é preciso fazer um desenho?”, perguntou.

A oposição protestou. Mas a sessão foi até ao fim sem mais problemas. Nem necessidade de power point ou desenhos adicionais.

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