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Paz em Moçambique: Marcelo disposto a ajudar, Nyusi diz que se precisar pede

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JOÃO RELVAS/LUSA

Encontro entre chefes do Estado abordou a situação política e militar. PR posiciona-se para ajudar no conflito entre Governo e Renamo, mas “só as circunstâncias dirão que tipo de ajuda”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

em Maputo

Jornalista da secção Política

"Os amigos são para as ocasiões", disse Marcelo Rebelo de Sousa esta manhã, no final de um encontro com o Presidente de Moçambique, quando questionado sobre a hipótese de mediar o conflito entre o Governo moçambicano e a Renamo, que já degenerou em conflito militar em algumas províncias do centro do país. A disponibilidade do Presidente da República de Portugal é clara, e a resposta do seu homólogo também foi: se precisarmos de ajuda, pedimos. Não foi dito nestes termos, interditos à linguagem diplomática, mas a mensagem era essa.

A conferência de imprensa conjunta no final de um encontro de mais de uma hora não podia passar ao lado da deterioração do conflito entre o Governo e a Renamo. Filipe Nyusi não iludiu a questão na sua declaração inicial, lembrando que no centro do país há moçambicanos que vão trabalhar sem saber se voltarão a casa, por causa de "ações de homens armados da Renamo", um "partido político com homens com armas".

"Exercer uma democracia armada não é recomendável", frisou o presidente moçambicano, admitindo que foi discutido na reunião com Marcelo "tudo o que é preciso ser feito para Moçambique viver em paz". "Temos conversado com muitas forças internas e também com os nossos amigos internacionais dispostos a ajudar", reconheceu Nyusi, com o PR português ao seu lado e bandeiras dos dois países em fundo.

Marcelo Rebelo de Sousa não esconde que gostaria de ter um papel a aproximar posições –"fazer pontes", como gosta de dizer – e Filipe Nyusi sabe que "o Presidente Rebelo está disposto a dar todo o tipo de ajuda que Moçambique precisar". A questão é essa: Moputo precisa da ajuda de Lisboa? Pelas palavras de Nyusi, ainda não.

"Estamos a ser aconselhados pela sociedade civil, pelos amigos, pelos vizinhos, isso está a acontecer independentemente de ser formal ou não" e "se chegasse um dia um momento de litígio, de algum antagonismo fatal, em que as pessoas não se acreditam, então aí fica necessário dar o passo." Mas apenas nessa circunstância de rutura.

Nesse caso, afirmou Nyusi, "estaremos à altura" e "sabemos que os portugueses estão disponíveis para dar todo o apoio que precisarmos".

Marcelo em modo "discreto"

"Os amigos são para as ocasiões", respondeu Marcelo. "Isto significa que Portugal, o presidente português, qualquer cidadão português, todos podem ajudar em vários momentos, conforme as circunstâncias. O problema é saber em que momento, como, de que forma, do modo mais eficiente, porventura mais discreto."

"Discrição" tem sido uma das palavras mais repetidas pelo PR quando fala da situação politico-militar moçambicana e "não por o carro à frente dos bois" tem sido a regra de funcionamento. Daí o cuidado com que Marcelo voltou a referir o assunto.

"Só as circunstâncias dirão que tipo de ajuda, em que momento e qual a forma", insistiu o Presidente português. As circunstâncias e, claro, um telefonema do presidente moçambicano.