Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Onde estava a 3 de maio de 2011?

  • 333

Tiago Miranda

Quatro dos atuais ministros viviam fora de Portugal quando José Sócrates anunciou o acordo com a troika, cumprem-se agora cinco anos

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

É uma data que porventura todos querem esquecer mas que continua bem presente na memória dos portugueses e, por maioria de razão, na dos decisores políticos. O Expresso foi ver por onde andavam os atuais ministros quando, naquela terça-feira, 3 de maio de 2011 (cumprem-se agora cinco anos), o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou ao país que chegara a um entendimento com a troika quanto ao programa de assistência financeira, apresentando-o como “um bom acordo, um acordo que defende Portugal”, mas que tinha associadas muitas medidas de austeridade. Seria a primeira das muitas voltas que o mundo deu desde então.

Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Pedro Marques, Manuel Heitor e Maria Manuel Leitão Marques hão de lembrar-se bem desse dia: os atuais ministros dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Social, do Planeamento, do Ensino Superior e Adjunto faziam parte do Executivo de Sócrates, ainda que em funções distintas das atuais – eram, respetivamente, ministros da Defesa e da Economia e secretários de Estado da Segurança Social, da Ciência e Ensino Superior e da Modernização Administrativa.

Manuel Caldeira Cabral, atual ministro da Economia, também estava muito perto do centro da ação: à época era um dos assessores económicos do ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos. E memórias nítidas daqueles dias também terá certamente o atual responsável pelas contas públicas: há cinco anos, Mário Centeno era diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal.

Desculpas para lembranças mais difusas só têm os atuais titulares das pastas da Administração Interna, da Cultura, da Educação e da Agricultura: todos se encontravam no estrangeiro. Constança Urbano de Sousa coordenava o núcleo de Justiça e Assuntos Internos da REPER (representação permanente de Portugal junto da União Europeia), em Bruxelas; Luís Castro Mendes era representante permanente na UNESCO, em Paris; Tiago Brandão Rodrigues era investigador na Universidade de Cambridge, Inglaterra; e Luís Capoulas Santos era eurodeputado em Bruxelas.

Ao Expresso, Constança Urbano de Sousa recorda que não viu em direto o discurso de José Sócrates, mas que foi "o culminar de algo que era esperado". "Não sou pessoa de ficar agarrada ao passado, prefiro antes acreditar que estamos a percorrer o caminho certo para que este momento da história”, diz.

Quanto aos restantes membros da equipa de António Costa – que, nesses idos de 2011, ia a meio do seu segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Lisboa – ocupavam-se à época de outras atividades um pouco mais distantes de São Bento. O hoje ministro da Defesa Azeredo Lopes era presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social; a titular da Justiça Francisca Van Dunem exercia funções como magistrada do Ministério Público; o responsável pela Saúde Adalberto da Costa Fernandes dava aulas na Escola Superior de Saúde Pública, em Lisboa, e era gestor hospitalar nesta região; o ministro do Ambiente Matos Fernandes presidia aos conselhos de administração dos portos de Viana do Castelo, Douro e Leixões; e os ministros Adjunto Eduardo Cabrita e do Mar Ana Paula Vitorino, depois de terem ocupado secretarias de Estado no primeiro Governo de Sócrates, eram deputados na Assembleia da República.