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Marcelo evita roteiro nostálgico

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JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

A casa onde a família Rebelo de Sousa viveu nos anos 60 é hoje o palácio presidencial. Marcelo visita a “segunda pátria” com afeto. Mas virado para o futuro

Marcelo Rebelo de Sousa costuma referir-se a Moçambique como a sua “segunda pátria” — o pai foi governador-geral da ex-colónia portuguesa entre 68 e 70 e Marcelo, embora estudasse em Lisboa, passava lá todas as férias com a família — mas a última coisa que o atual Presidente da República quer é transformar a sua primeira visita de Estado ao país num roteiro nostálgico.

Vai ser um roteiro afetivo, sem dúvida — se os afetos estão no ADN da presidência de Marcelo, o regresso ao local onde a (sua) família foi feliz nunca será um regresso frio. Mas a preparação da visita assentou num princípio bem definido: esta não será uma viagem conduzida pelo passado, o que ficou do passado foi um enorme afeto, Marcelo estará em Maputo “para construir o futuro”.

Há, no entanto, um momento que dificilmente escapará ao roteiro da memória. Filipe Nyusi vai oferecer um jantar à comitiva portuguesa no Palácio da Ponta Vermelha, a sua residência oficial. E foi nesta casa que a família Rebelo de Sousa viveu. Marcelo não quer nostalgias mas tudo depende de um eventual gesto do Presidente moçambicano. Omitirá Nyusi o assunto ou convidará Marcelo a revisitar algum particular espaço do palácio?

O cuidado em limpar as referências ao passado também passou por garantir que nenhum dos dois irmãos do PR português, António e Pedro Rebelo de Sousa, esteja nesta altura em Maputo. Ambos têm ligações profissionais com o país, mas nenhum estará por lá nestes dias. Embora os três irmãos tenham uma relação absolutamente normal com as autoridades e o povo moçambicanos.

Em 1998, o próprio Baltazar Rebelo de Sousa voltou ao pais que administrou antes da independência. E falou ao Expresso: “Hoje, os moçambicanos já têm uma experiência que lhes permite estar em condições de saber o que correu bem e o que correu mal”. Em 1999, foi a vez de Marcelo escrever uma fotobiografia do pai. Onde lhe elogia “as qualidades de carácter, inteligência, trabalho e entrega ao bem comum”, e fala de uma das suas “paixões constantes”: “defender a lusofonia, sobretudo na África que fala português”. Marcelo também tem a CPLP no topo da agenda.

Texto publicado na edição do Expresso de 30/04/2016