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Passos ganha salário como vice-PM

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Líderes do PSD e CDS, que são deputados, declaram receber complemento salarial por parte do partido

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Tanto o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, como a presidente do CDS, Assunção Cristas, recebem um complemento salarial por parte dos seus partidos. Os dois declaram esse rendimento extra no registo de interesses de deputado.

Passos, no entanto, esclarece que o PSD lhe paga o montante que o ajuda a perfazer o salário de vice-primeiro-ministro. Como deputado em regime de exclusividade, recebe 3341 euros brutos (mais despesas de representação de 341 euros). Ora, o salário de vice-primeiro-ministro ronda os 4668 euros. É essa diferença que é paga. O PSD não esclarece, no entanto, por que razão o teto salarial escolhido é o do salário de vice-primeiro, cargo que poucas vezes existiu nos elencos governativos e que foi desempenhado entre 2013 e 2015 por Paulo Portas, líder do CDS.

Assunção Cristas não explica no registo de interesse que tipo de complemento salarial recebe. Ao Expresso, a assessoria de imprensa do partido afirma que recebe “o diferencial que lhe permite (acumulando com o vencimento de deputado) auferir o mesmo que recebia antes de ir para o Governo”. Mas sem revelar o montante.

Antes de desempenhar funções como ministra da Agricultura no Governo de Passos Coelho, Assunção Cristas era advogada no escritório Morais Leitão, Galvão Teles e Soares da Silva.

A prática de os partidos pagarem salário aos seus líderes é comum. António Costa, por exemplo, quando deixou o cargo de presidente da Câmara de Lisboa, no dia 1 de abril de 2015, e passou a dedicar-se a tempo inteiro ao PS, sem ser deputado, recebia do PS o salário definido na era da direção de Seguro — o equivalente ao de primeiro-ministro (5001 euros).